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A briga da China com Mbappé após comentários sobre Mao Tsé-Tung

Atacante do Real Madrid se diz arrependido após três empresas chinesas romperem contratos publicitários por ofender 'sentimentos nacionais'

O atacante francês Kylian Mbappé, do Real Madrid, pediu desculpas nesta terça-feira, 27, após comentários sobre um meme que o associa a Mao Tsé-Tung provocarem uma onda de críticas na China. A repercussão levou empresas chinesas a encerrarem contratos publicitários com o jogador, enquanto plataformas digitais restringiram suas contas.

Apresento minhas desculpas a todos e todas que tenham se sentido ofendidos pelas minhas palavras. Não era, em absoluto, a minha intenção. Tenho profundo respeito pelo povo chinês e por sua história, estou sinceramente arrependido, afirmou o capitão da seleção francesa em um comunicado em francês, inglês e mandarim publicado em suas redes sociais.

A polêmica começou após a circulação de um vídeo em que Mbappé fala sobre montagens com seu rosto que viralizaram nas redes sociais. Ao ser questionado sobre o meme que mais o fez rir, o jogador descreveu uma imagem na qual seu rosto aparece sobreposto ao de um homem que ele acreditava ser um ditador chinês. Embora não tenha identificado a figura, a montagem foi associada a Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China, em 1949, e líder do país até sua morte, em 1976.

Reação na China

As empresas Dongpeng, do setor de bebidas, Mengniu, de laticínios, e Milkground, fabricante de queijos, anunciaram nesta terça-feira o encerramento imediato de suas parcerias com o jogador. Em comunicados semelhantes, as três companhias afirmaram ter tolerância zero a atos ou declarações que firam os sentimentos nacionais.

Questionado sobre o episódio, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que manifestações consideradas ofensivas à população chinesa provocam rejeição no país. Qualquer comentário ou ato que fira os sentimentos do povo chinês enfrenta, naturalmente, uma rejeição comum por parte de toda a sociedade chinesa, declarou.

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A reação também chegou às redes sociais chinesas. A conta de Mbappé no Xiaohongshu (Rednote), plataforma conhecida como o Instagram chinês, foi suspensa por violação das regras da comunidade, segundo informações divulgadas na própria rede. No Weibo, outra plataforma popular na China, o anúncio do rompimento da parceria com a Dongpeng se tornou um dos assuntos mais comentados, com 430 milhões de visualizações.

A televisão estatal chinesa CCTV também teria retirado anúncios com o jogador, interrompido a transmissão de partidas envolvendo o francês e apagado publicações relacionadas a ele de sua conta oficial no Weibo.

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Meme circula desde a Copa

Montagens que retratam Mbappé como um ditador circulam na internet desde a Copa do Mundo de 2026. As imagens exploram a influência atribuída ao atacante sobre os companheiros de equipe e o mostram com o rosto sobreposto ao de diferentes figuras históricas, frequentemente em uniformes militares.

A repercussão do episódio evidencia a sensibilidade política e comercial em torno de referências consideradas ofensivas na China. Empresas estrangeiras já enfrentaram boicotes no país por posicionamentos relacionados a temas políticos, como ocorreu com a varejista sueca H&M e a fabricante de artigos esportivos Nike, após manifestações sobre Xinjiang.

Um dos casos mais conhecidos envolveu a NBA, a liga profissional de basquete dos Estados Unidos. Em 2019, uma mensagem de apoio aos manifestantes de Hong Kong publicada por Daryl Morey, então dirigente do Houston Rockets, provocou uma crise com autoridades e parceiros chineses, levando à suspensão de transmissões e ao rompimento de acordos comerciais.

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A controvérsia ganhou força porque Mao Tsé-tung, morto em 1976, permanece uma figura central da história oficial chinesa, apesar das consequências devastadoras de políticas adotadas durante seu governo. 

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Fonte: veja.abril.com.br

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