Apesar do otimismo do mercado, analistas apontam longa jornada para empresa recuperar o brilho do passado
As ações da Americanas disparam na abertura do pregão desta terça-feira, 20, após a empresa anunciar o fim de sua recuperação judicial. Por volta das 10h30, as ações da Americanas subiam 23,12%, aos 7,35 reais. Ontem, a varejista anunciou que a 4ª vara empresarial da comarca da capital do Estado do Rio de Janeiro proferiu sentença que determina o fim da Recuperação Judicial da empresa.
A companhia foi alvo de uma fraude contábil de 54,2 bilhões de reais, revelada em janeiro de 2023, e precisou recorrer à recuperação judicial para reestruturar suas finanças. Segundo a decisão da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, a empresa cumpriu todas as obrigações previstas no plano de recuperação judicial com vencimento no prazo de até dois anos.
O juiz também determinou que a decisão seja comunicada ao Registro Público de Empresas e à Secretaria Especial do Ministério da Fazenda, para as providências cabíveis, incluindo a retirada da expressão em Recuperação Judicial do nome da companhia.
A sentença foi proferida após pareceres favoráveis da Administração Judicial e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A sentença permanece sujeita a recursos, informou a Americanas.
Para a empresa, o encerramento da recuperação judicial representa um marco em sua trajetória e inaugura uma nova etapa dos negócios. A companhia afirma que pretende concentrar esforços no crescimento das operações, no fortalecimento de seu modelo de negócio e na melhoria da experiência dos clientes.
Americanas apresentou evolução em seus indicadores?
Segundo Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, a reestruturação reduziu drasticamente o endividamento. A dívida bruta, que superava 40 bilhões de reais no auge da crise, foi renegociada e caiu para cerca de 2 bilhões de reais, concentrados em debêntures de longo prazo.
Os resultados de 2025 refletem essa transição. A receita líquida somou 12,3 bilhões de reais, queda de 1,2% em relação ao ano anterior, explicada principalmente pela redução deliberada das operações digitais e do marketplace. O lucro foi de 3,3 bilhões de reais, com margem de 27%.
A Americanas deixa de ser um caso de reestruturação emergencial e passa a ser avaliada como varejista em fase de reconstrução. O balanço mais equilibrado, a redução de custos e a melhora de indicadores de loja formam base positiva, afirma Uarian.
Apesar da forte valorização no pregão desta terça-feira, as ações ainda estão distantes de recuperar o valor de mercado que a companhia tinha antes da revelação da fraude. Segundo levantamento de Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria, a Americanas valia 10,83 bilhões de reais em 11 de janeiro de 2023, quando anunciou a descoberta da fraude contábil.
No fechamento do pregão de segunda-feira, 19, o valor de mercado havia recuado para 1,19 bilhão de reais. A diferença representa uma perda de 9,63 bilhões de reais, equivalente a cerca de 89% do valor de mercado registrado antes da crise iniciada em janeiro de 2023.
Mesmo com a alta desta terça-feira, a Americanas ainda tem um longo caminho para recuperar o valor de mercado perdido. A nova fase exigirá disciplina da administração na execução da estratégia de reconstrução e cautela dos investidores diante dos desafios que permanecem.
Fonte: veja.abril.com.br