Atual representante do Brasil no FMI, economista já defendeu mudanças no regime de metas de inflação e criticou a influência do mercado financeiro sobre o BC
O economista André Roncaglia, atual diretor-executivo do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), entrou no radar para ocupar uma das duas diretorias vagas do Banco Central, segundo apurou o Radar Econômico. Professor da Universidade de Brasília (UnB), Roncaglia tem trajetória ligada ao pensamento econômico desenvolvimentista e já defendeu mudanças na condução da política monetária brasileira. Ainda não há uma indicação formal nem definição sobre qual das cadeiras poderia ocupar.
O nome surge em meio às articulações para preencher as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, desocupadas desde o fim de 2025. A primeira delas, atualmente sob responsabilidade interina de Paulo Picchetti, é responsável pela elaboração dos cenários macroeconômicos que orientam as decisões de juros do Comitê de Política Monetária (Copom).
Roncaglia já fez críticas públicas à influência do mercado financeiro sobre a atuação do Banco Central. Em artigo publicado em 2023, defendeu a elevação da meta de inflação para 4,5% e a adoção de um regime monetário mais flexível. As posições, manifestadas antes de sua passagem pelo FMI, ajudam a explicar a atenção que uma eventual indicação despertaria no mercado.
A definição sobre os novos diretores continua nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em fevereiro, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia apresentado os nomes de Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para as duas posições. Outros nomes também foram considerados ao longo do ano, sem que o governo formalizasse as escolhas.
Nesta terça-feira, 27, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmou que as nomeações são prerrogativa de Lula. Os indicados ainda precisarão passar por sabatina e aprovação do Senado Federal antes de assumir os cargos.
Fonte: veja.abril.com.br