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Comissão do Lancet pede que mudanças climáticas sejam classificadas como emergência de saúde global

Pesquisadores destacam aumento de 36% nas mortes por ano relacionadas ao calor em uma década e que saúde seja colocada como prioridade

O décimo relatório da comissão Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas traz a recomendação de que a crise climática seja classificada como uma emergência de saúde global que demanda ações efetivas para conter cenários críticos para a humanidade. Os autores do documento, divulgado na noite desta terça-feira, 27, consideraram o crescimento acelerado dos danos à saúde causados pela desregulação do clima para fazer o alerta, citando o aumento de 36% nas mortes associadas ao calor na última década e episódios de seca que já impactam a segurança alimentar.

A coalizão de pesquisadores foi criada após o Acordo de Paris, firmado em 2015 na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP) com a meta de tentar limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C ou, ao menos, mantê-lo abaixo de 2 °C.

O que preocupou os especialistas foi o fato de que os impactos à saúde foram mais expressivos no período de 2016 a 2025, pós-acordo, do que na década de 2006 a 2015.

O grupo de 146 pesquisadores de mais de 100 instituições de 30 países informou que, apenas em 2023, foi registrado um número recorde de mortes por calor, totalizando 710 000 óbitos, dos quais 70% foram relacionadas aos caos climático causado por ações humanas.

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Desde 2023, 80% das áreas terrestres do mundo apresentam alterações nos padrões de água subterrânea, impactando a segurança alimentar e o saneamento. O mais grave neste achado, observado em um estudo por meio de satélites, é que isso está ocorrendo não só nos períodos de seca, mas nas temporadas úmidas.

Uma década após o Acordo de Paris, nossas conclusões são inequívocas: os danos à saúde causados pelas mudanças climáticas estão aumentando mais rapidamente do que a resposta global a eles e, em muitos casos, até mesmo se acelerando, disse, em comunicado, Marina Romanello, diretora-executiva do Lancet Countdown, sediado na Universidade College London (UCL), na Inglaterra.

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Saúde como prioridade

No relatório, os pesquisadores defenderam que as decisões sobre as mudanças climáticas sejam norteadas pela saúde. Isso significa que em cada indicador a ser melhorado, como as reduções dos gases do efeito estufa, e os financiamentos considerem os impactos à saúde que têm sido observados pelos estudos.

O grupo considera que há uma mobilização dos sistemas de saúde. Como exemplo, citaram que 56 dos 194 Estados-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) contam com planos nacionais de adaptação dos serviços de saúde às alterações climáticas.

Os autores reconheceram os investimentos ao redor do mundo em energia limpa, que tiveram um incremento de 7,2% no ano passado, batendo o recorde de 2,1 trilhões de dólares, valor 82% maior do que os 1,16 trilhão de dólares investidos em combustíveis fósseis.

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Em 77 países onde a poluição do ar resultante de combustíveis fósseis caiu desde 2016, foi registrada a prevenção de 323 000 mortes por ano.

Uma década depois, temos provas de que a ação climática centrada na saúde funciona: ar mais limpo, sistemas de saúde mais resilientes e sistemas de alerta estão protegendo a saúde e salvando vidas em todo o mundo. Mas o ritmo e a escala da redução de emissões ainda estão totalmente desproporcionais ao ritmo e à escala dos danos, declarou Anthony Costello, copresidente do Lancet Countdown.

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Fonte: veja.abril.com.br

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