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Como a imunoterapia está transformando o tratamento do câncer de endométrio

Estudos apresentados em Madri investigam desde a imunoterapia sem quimioterapia até medicamentos que ampliam a sobrevida de pacientes com doença avançada

Madri* – Tumor ginecológico com taxas de incidência e mortalidade em expansão, o câncer de endométrio teve novas perspectivas de tratamento divulgadas no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), realizado em Madri.

As pesquisas apresentadas investigam desde o uso de imunoterapia sem quimioterapia até uma nova opção para pacientes cuja doença voltou ou avançou apesar dos tratamentos anteriores.

A condição, que afeta a camada interna do útero, acomete principalmente mulheres na pós-menopausa, mas também pode acontecer em outras faixas etárias. Obesidade, menarca precoce, menopausa tardia e nuliparidade são alguns dos fatores de risco.

Nos últimos anos, a combinação de quimioterapia e imunoterapia ampliou as possibilidades de tratamento para a doença em estágio avançado. 

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Ainda assim, segundo os pesquisadores, há pacientes que apresentam progressão do tumor e precisam de alternativas.

Para Luciana Landero, líder da oncologia mamária do grupo Oncoclínicas, que assistiu à exposição dos novos estudos, os resultados refletem os avanços expressivos alcançados no tratamento da doença nos últimos anos.

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Estamos avançando em duas direções complementares, avalia a oncologista. De um lado, a possibilidade de reduzir a intensidade do tratamento, evitando quimioterapia em pacientes molecularmente selecionadas. 

E de outro, acrescenta ela, a incorporação de novas estratégias capazes de prolongar a sobrevida, mesmo quando o câncer evolui diante das terapias comumente utilizadas.

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Mais do que novos medicamentos, esses resultados reforçam a importância de individualizarmos cada vez mais o tratamento do câncer de endométrio, diz.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deverá registrar cerca de 9.650 novos casos de câncer do corpo do útero por ano entre 2026 e 2028. É também o sexto tumor mais incidente entre as mulheres no país.

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Um medicamento ampliou a sobrevida após tratamentos anteriores

Um dos estudos avaliou mulheres cujo câncer avançou ou voltou após tratamentos anteriores.

A pesquisa de fase 3 TroFuse-005 testou o sacituzumabe tirumotecana, medicamento que combina um anticorpo capaz de reconhecer um alvo nas células tumorais com uma substância que atua contra elas. A estratégia busca direcionar o anticorpo para atacar o tumor.

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Entre as pacientes que receberam o medicamento, a mediana de sobrevida global foi de 19 meses, contra 12,1 meses entre aquelas submetidas a outras terapias escolhidas pelos médicos.

A mediana de sobrevida livre de progressão, período em que a doença não piora, também aumentou, passando de 3,9 para 7,2 meses.

“O tratamento melhorou todos os desfechos de eficácia clínica em comparação com a quimioterapia padrão e é uma nova terapia empolgante para o câncer endometrial avançado, observou a pesquisadora Joyce F. Lui, professora associada de Medicina da Escola de Medicina de Harvard, que não participou do estudo, ao comentar os resultados, nesta segunda-feira, 26.

Mas isso veio com um preço, ponderou Lui, em referência aos efeitos adversos: eles exigiram interrupção de dose em 44,5% das pacientes e redução em 29% delas.

A taxa de estomatite foi de 55%, por exemplo, mas os eventos foram, em sua maioria, manejáveis com medidas de suporte e ajustes de dose, segundo os dados apresentados. As participantes continuarão sendo acompanhadas.

Sabemos que pacientes com progressão após quimioterapia e imunoterapia têm poucas opções, e a taxa de resposta é muito baixa, avaliou Liu. O estudo abre uma porta importante para o futuro, elogiou.

Na coletiva de imprensa, a pesquisadora descreveu a abordagem como fantástica e parabenizou os pesquisadores.

Autora principal da pesquisa, Domenica Lorusso afirmou que se trata do primeiro anticorpo conjugado a demonstrar benefício de sobrevida global nesse grupo de pacientes.

A eficácia é impressionante, com perfil de toxicidade manejável, com estratégias de implementação de ajuste e interrupção de dose para prevenir estomatite, então acreditamos que este é o novo padrão de tratamento a partir de agora, disse na coletiva.

Imunoterapia isolada pode evitar a quimioterapia em um grupo específico

Outra pesquisa, o estudo de fase 3 KEYNOTE-C93, investigou o pembrolizumabe como tratamento inicial para pacientes com câncer de endométrio avançado ou recorrente com deficiência no sistema de reparo do DNA, conhecida pela sigla dMMR.

Essa alteração favorece o acúmulo de erros genéticos nas células tumorais e está associada a uma maior resposta a determinadas imunoterapias.

O estudo comparou o pembrolizumabe isolado com a combinação de carboplatina e paclitaxel, dois quimioterápicos utilizados no tratamento da doença.

A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 38,2 meses entre as pacientes que receberam imunoterapia, contra 8,4 meses no grupo submetido à quimioterapia.

São resultados muito expressivos, que abrem espaço para discutirmos estratégias livres de quimioterapia em pacientes selecionadas, diz Landero, da Oncoclínicas.

A especialista pondera que o estudo, porém, não comparou o pembrolizumabe isolado com o padrão atual de combinação de quimioterapia e imunoterapia.

Isso significa que os resultados ainda não demonstram que a monoterapia seja superior às estratégias combinadas hoje utilizadas.

Além disso, os dados de sobrevida global também foram considerados imaturos.

Um dos achados mais expressivos foi a duração das respostas. Entre as pacientes que responderam ao tratamento, a mediana ainda não havia sido alcançada no grupo do pembrolizumabe, enquanto foi de 10,2 meses no grupo da quimioterapia.

Segundo Brian M. Slomovitz, autor do estudo, isso sugere que, para parte das pacientes com tumores dMMR, a imunoterapia pode proporcionar um controle prolongado da doença.

Combinação de dostarlimabe e quimioterapia mostra benefício duradouro

O terceiro conjunto de dados vem do estudo RUBY, que avaliou o dostarlimabe, outro medicamento imunoterápico, associado à quimioterapia em pacientes com câncer de endométrio avançado ou recorrente.

Na população geral do estudo, a combinação reduziu em 31% o risco relativo de morte em comparação com a quimioterapia isolada. A mediana de sobrevida global foi de 44,6 meses, contra 28,2 meses.

Os resultados de acompanhamento prolongado também chamaram a atenção para o grupo com tumores dMMR ou com alta instabilidade de microssatélites (MSI-H), características moleculares que podem tornar o tumor mais sensível à imunoterapia.

Nesse subgrupo, após acompanhamento mediano de 55,6 meses, a combinação foi associada a uma redução de 66% no risco relativo de morte e de 70% no risco relativo de progressão da doença ou morte.

Uma análise adicional avaliou pacientes que já haviam completado dois anos vivas e sem progressão. Entre elas, 91,7% permaneceram vivas e sem progressão até o quarto ano.

No Brasil, a incorporação do dostarlimabe associado à quimioterapia ao Sistema Único de Saúde (SUS) está em avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), por meio da Consulta Pública nº 104/2026, que se encerra nesta segunda-feira, 26.

* A repórter viajou a convite da GSK

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Fonte: veja.abril.com.br

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