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Corte da Selic era unanimidade entre 24 gestoras. Agora, até alta entra no radar

Pesquisa feita após o primeiro turno revela o tamanho da mudança de expectativas provocada pela reeleição de Lula

Bastaram três semanas para o mercado financeiro trocar a expectativa de novos cortes de juros pelo temor de que o Banco Central seja obrigado a interromper o ciclo de redução da Selic ou, numa hipótese mais adversa, voltar a elevá-la.

No dia 5 de outubro, quando a Bolsa brasileira disparou após o primeiro turno da eleição presidencial, nenhuma das 24 gestoras consultadas pela XP esperava manutenção dos juros na reunião de novembro. Nada menos que 88% projetavam uma redução de 0,25 ponto percentual, dos atuais 13,75% para 13,50% ao ano. As demais apostavam em um corte ainda maior.

A confiança na melhora do cenário brasileiro também aparecia nas carteiras: 58% das gestoras operavam com exposição ao país acima da média dos 12 meses anteriores. Metade considerava a Bolsa o investimento com a melhor relação entre risco e retorno até dezembro.

O resultado eleitoral de domingo, porém, obrigou os investidores a recalcular suas expectativas. Nesta segunda-feira, o Ibovespa chegou a perder mais de 17%, enquanto o dólar ultrapassou R$ 5,60. A desvalorização cambial, combinada às preocupações fiscais, passou a alimentar discussões sobre uma interrupção dos cortes de juros. Uma nova alta da Selic ainda não é o cenário central.

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Para Thomas Haugaard, gestor de dívida de mercados emergentes da Janus Henderson, a turbulência expôs um desequilíbrio entre as expectativas eleitorais e os preços dos ativos. O mercado havia incorporado uma mudança na condução da política econômica, mas não havia precificado adequadamente a possibilidade de continuidade do atual governo.

Agora, segundo Haugaard, os investidores deverão exigir sinais de credibilidade fiscal, com uma equipe econômica dotada de autonomia, medidas permanentes de contenção das despesas e uma trajetória convincente de estabilização da dívida pública.

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A dimensão desse desafio já aparecia em análises anteriores à votação. A Kinea estimou que o ajuste necessário em 2027 poderá chegar a 2 ou 3 pontos percentuais do PIB, num Orçamento em que 91,7% das despesas já são obrigatórias.

Mais do que descobrir até onde a Bolsa pode cair, o mercado terá de responder a uma pergunta que parecia fora de cogitação há três semanas: quanto tempo o Brasil conseguirá manter os juros elevados sem comprometer ainda mais a atividade econômica?

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Fonte: veja.abril.com.br

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