Paulo Margatho, vice-presidente executivo da Benetech Brasil, compartilha as escolhas e os aprendizados que moldaram sua forma de ser líder
Nascido em São Paulo, em 1985, Paulo Margatho cresceu ao lado da irmã, Amanda, sob a influência dos valores transmitidos pelos pais, Marta e Paulo. Desde cedo, aprendeu que conquistas exigem dedicação. Quando desejava comprar um tênis, o pai propunha que realizasse alguma atividade equivalente ao valor do produto, uma forma de ensinar responsabilidade e de reconhecer o esforço por trás de cada realização.
Aos 16 anos, enfrentou a morte do pai, experiência que transformou seus planos. Embora sonhasse em cursar Medicina, decidiu estudar Administração de Empresas na Universidade Mackenzie, onde sua irmã já era aluna. A escolha permitiria ingressar mais cedo no mercado de trabalho e contribuir com a família. Concluiu a graduação em 2007, iniciando uma trajetória diferente daquela que havia imaginado.
Quando os planos mudam
Com o apoio da irmã, Paulo Margatho ingressou na Timken, multinacional norte-americana do setor industrial, onde teve a oportunidade de desenvolver seus conhecimentos em planejamento e finanças. Após nove meses, recebeu uma proposta de efetivação, mas decidiu seguir outro caminho: realizar o sonho de estudar inglês no Canadá. Permaneceu no país durante 12 meses e, em 2006, retornou ao Brasil, quando passou a trabalhar na Ingersoll Rand, outra empresa industrial, ampliando sua experiência na área financeira.
Dois anos depois, por indicação dos amigos Daniel Rapette e Bruno Guimarães, ingressou na Galeazzi & Associados, consultoria especializada em gestão e reestruturação empresarial. A mudança representou um passo importante em sua carreira, ao colocá-lo diante de desafios que iam além das atividades financeiras. Como consultor de gestão interina, assumiu responsabilidades operacionais e financeiras em empresas clientes. Aos 24 anos, já participava de decisões relacionadas à reorganização de processos, à recuperação de resultados e à condução de negócios em diferentes contextos.
Em 2010, recebeu um convite para integrar a área de planejamento estratégico da Inbrands, uma companhia com um grande portfólio de marcas de roupas e operações no varejo. A experiência ampliou sua visão sobre a gestão empresarial e abriu caminho para uma atuação independente. Posteriormente, desenvolveu projetos na área financeira da gestora RR Investimentos, participando da avaliação de marcas internacionais interessadas em ingressar no mercado brasileiro, entre elas a rede belga Le Pain Quotidien.
Uma relação construída ao longo dos anos
O primeiro contato de Paulo Margatho com a Benetech Brasil aconteceu em 2013, por indicação de um antigo colega que trabalhava na Crowe. Na ocasião, a matriz norte-americana da Benetech, especializada em soluções de engenharia industrial para mineração e siderurgia, buscava apoio na área financeira. O que começou como um trabalho de consultoria acabou se tornando uma relação profissional que mudaria os rumos de carreira.
Durante oito anos, Margatho acompanhou a Benetech de perto, assumindo responsabilidades na controladoria enquanto mantinha outros projetos de consultoria. Essa convivência permitiu que conhecesse o negócio, seus desafios e as oportunidades de crescimento. Em 2021, decidiu dedicar-se integralmente à Benetech, assumindo a diretoria financeira. No ano seguinte, tornou-se vice-presidente executivo, responsável pelas operações no Brasil e na América Latina.
De 2021 a 2025, a companhia triplicou de tamanho. O crescimento foi resultado de decisões voltadas à expansão de mercados, ao desenvolvimento de tecnologias e produtos e à organização da estrutura financeira e operacional. Para Margatho, aquele período representou também uma transformação pessoal: depois de anos contribuindo como consultor, passou a responder diretamente pelos resultados e pelo futuro de um negócio que conhecia desde seus primeiros desafios.
Liderar também exige coragem
Uma das decisões mais desafiadoras de Margatho ocorreu em 2022, quando precisou avaliar um investimento estratégico que envolvia recursos significativos e riscos financeiros e operacionais. Sem garantias de retorno, o desafio exigiu planejamento, análise cuidadosa e disposição para assumir responsabilidades. A experiência reforçou sua convicção de que liderar também significa tomar decisões difíceis, mesmo diante das incertezas.
Essa compreensão começou a se formar muito antes de assumir a vice-presidência. Durante sua passagem pela Inbrands, uma falha de sistema exigiu que a equipe de tecnologia trabalhasse até tarde da noite. Embora não dominasse os aspectos técnicos, permaneceu ao lado dos profissionais, oferecendo apoio. O episódio consolidou uma das principais lições de sua carreira: liderar não significa ter todas as respostas, mas estar presente quando a equipe precisa.
Atualmente, Margatho mantém residência em São Paulo e acompanha as operações da companhia, cuja sede brasileira fica em Serra, no Espírito Santo. Essa dinâmica reforça sua percepção de que confiança, flexibilidade e comprometimento são fundamentais para conciliar resultados e valorização das pessoas.
O legado construído com pessoas
A busca por conhecimento continua presente em sua trajetória. Em 2026, concluiu um curso de Inteligência Artificial Generativa Aplicada aos Negócios no Massachusetts Institute of Technology (MIT). A tecnologia já faz parte das atividades da companhia, contribuindo para a análise de informações e o apoio às decisões estratégicas. Para o executivo, porém, nenhuma ferramenta substitui a capacidade humana de avaliar situações, assumir responsabilidades e compreender as pessoas envolvidas.
Ao longo da carreira, também precisou superar desafios pessoais. Antes reservado e pouco à vontade para falar em público, desenvolveu habilidades de comunicação e aprendeu a construir relações em diferentes ambientes profissionais. Essa transformação influenciou sua maneira de liderar, hoje orientada pelo respeito, pela confiança e pela criação de oportunidades para o desenvolvimento das equipes.
Mais do que os resultados financeiros ou o crescimento empresarial, Margatho encontra satisfação em acompanhar a evolução de profissionais que, ao longo dos anos, conquistaram autonomia e assumiram novas responsabilidades. Para ele, o sucesso de uma liderança também pode ser medido pelas oportunidades que ajuda a construir para os outros.
Ao olhar para a própria trajetória, deseja ser lembrado não apenas pelas conquistas profissionais, mas pela forma como conduziu suas decisões e se relacionou com as pessoas. Um legado que, em sua visão, se constrói com humildade, responsabilidade e presença.
Fonte: veja.abril.com.br