Estudo estima que 26,8% das áreas terrestres já estão sob algum tipo de conservação, mas a proteção continua concentrada em certos ecossistemas
O mundo pode estar mais perto da meta de proteger 30% das terras até 2030 do que sugerem as estatísticas oficiais.
Um estudo publicado na revista Nature estima que áreas de conservação cobrem 26,8% da superfície terrestre, ante 18,5% registrados nos dados globais citados pelos autores. A diferença indica que faltariam cerca de 3 pontos percentuais para atingir a meta.
A estimativa inclui áreas protegidas reconhecidas por governos nacionais que não aparecem na base internacional, além de territórios que poderiam ser considerados medidas efetivas de conservação.
A ressalva é que muitas dessas áreas se sobrepõem a ecossistemas já bem protegidos. A ampliação da área contabilizada, por si só, não garante que os ambientes mais ameaçados estejam preservados.
Áreas fora do registro internacional
O estudo calcula que 15,79% das terras estão em áreas protegidas registradas globalmente e outros 3,64% em áreas reconhecidas por países, mas ausentes da base internacional.
Acrescenta ainda 7,38% de locais que poderiam ser enquadrados como outras medidas efetivas de conservação, conhecidas pela sigla OECM.
Esses locais não precisam ter a conservação como objetivo principal, mas devem contribuir para proteger a biodiversidade no longo prazo. No estudo, são áreas que poderiam receber esse reconhecimento, não lugares já classificados oficialmente.
A formalização depende de avaliação dos governos e do consentimento livre, prévio e informado das comunidades ou grupos que as governam.
Para chegar ao total, os pesquisadores combinaram dados de 25 países e territórios, que representam cerca de 10% das áreas terrestres do planeta, e extrapolaram os resultados. A estimativa se refere a dados de 2022; portanto, não é uma contagem atualizada da cobertura em 2026. www.nature.com
Proteção segue desigual entre ecossistemas
A meta internacional conhecida como 30 por 30 prevê conservar até 2030 ao menos 30% das áreas terrestres e de água doce e, separadamente, 30% das áreas costeiras e marinhas.
O estudo trata apenas da parcela terrestre. O compromisso também prevê áreas bem administradas, conectadas e representativas dos ecossistemas, com governança justa e respeito aos direitos de povos indígenas e comunidades locais.
Na amostra analisada, regiões polares e alpinas tinham a maior cobertura de áreas de conservação.
Mesmo depois de incluídas todas as categorias, 51 de uma mediana de 173 regiões ecológicas ainda tinham menos de 10% de sua área protegida.
Para os autores, isso mostra que alcançar um percentual global não basta para distribuir a proteção pelos diferentes ambientes.
O estudo foi divulgado durante a COP17, conferência da ONU sobre biodiversidade em Yerevan, na Armênia.
Um balanço da Convenção sobre Diversidade Biológica afirma que os compromissos apresentados pelos países ainda ficam aquém da meta de proteção até 2030.
A nova estimativa amplia a área que pode entrar na conta, mas também reforça o desafio de identificar, reconhecer e apoiar os territórios que ajudam a conservar a natureza.
Fonte: veja.abril.com.br