O ex-presidente defende o diálogo como o principal ferramenta para recuperar o ambiente econômico e político
Em 2016, o ex-presidente da República Michel Temer (MDB) assumiu um país dividido, conflagrado politicamente depois do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) e mergulhado numa profunda crise econômica.
Em dois anos e sete meses de governo, Temer obteve resultados positivos. A polarização política diminuiu de intensidade, os indicadores econômicos melhoraram e o governo conseguiu encaminhar uma agenda importante, mas ao mesmo tempo difícil e impopular.
Fizemos a reforma da Previdência, a reforma trabalhista, aprovamos o teto de gastos, reduzimos os juros e a inflação, recuperamos as estatais, lembra o ex-presidente.
O segredo, segundo ele, foi a busca pelo diálogo, a perseguição do consenso mínimo e ouvir todos os setores interessados nesta ou naquela medida que precisava ser encaminhada.
Para 2027, seja o próximo ocupante do Palácio do Planalto Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), a receita, segundo ele, precisará ser a mesma. O novo presidente vai precisar de muito diálogo com o Congresso e com a sociedade, diz.
Temer sugere que eventuais revanches sejam deixadas de lado. O ideal seria que o governo começasse com uma grande conversação nacional. Só se reconecta um país dividido com uma postura equilibrada, madura, com ações corajosas para consolidar as bases institucionais, políticas e econômicas, sem viés ideológico, com viés de pacificação, diz.
O ex-presidente lembra que só enviou a reforma trabalhista para o Congresso após conversar mais de quatro meses com as centrais sindicais e representantes de federações de indústrias e comércio. O imposto sindical foi extinto sem traumas, lembra.
Ele ressalta que o futuro presidente terá de lidar com um problema grave, difícil e delicado ao mesmo tempo: a questão fiscal. Especialmente depois de tudo isso que aconteceu na reta final da campanha, com gastos de mais de 300 bilhões de reais, serão necessários ajustes com urgência, ressalta o ex-presidente, se referindo ao chamado pacote de bondades de Lula.
Fonte: veja.abril.com.br