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O rumo do Ibovespa após outros circuit breakers e o que isso diz da reeleição de Lula

Nas dezessete vezes em que a B3 suspendeu a negociação, o Ibovespa já havia se recuperado com força um ano depois, mas, desta vez, pode ser diferente

A bolsa brasileira sangra em praça pública, alvejada pela inesperada reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que protagonizou uma virada nunca vista desde a redemocratização. O Ibovespa, principal índice da B3, acumula uma perda semanal de mais de 16% até esta quarta-feira 28. Na segunda-feira 26, ainda em estado de choque pelo resultado do segundo turno realizado no dia anterior, o mercado abriu em uma violenta queda, forçando a B3 a acionar o circuit breaker – mecanismo que interrompe as negociações no caso de oscilações bruscas. Mesmo após a reabertura do pregão, o pessimismo persistiu e o Ibovespa encerrou o dia com um tombo de 13,88% – o quinto maior já registrado.

Antes de 26 de outubro, a B3 acionou o circuit breaker dezessete vezes desde 1998. A última suspensão dos negócios havia ocorrido em 18 de março de 2020, no início da pandemia de covid-19. Naquela data, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 10,4%. Se serve de consolo, a história mostra que o mercado brasileiro se recuperou rapidamente de todos esses momentos. “Um ano após o acionamento, em todos os 17 casos, o Ibovespa estava em alta de pelo menos 30%”, afirma um relatório do BTG Pactual enviado hoje aos clientes e assinado pelo analista Carlos Sequeira e sua equipe.

As dezessete vezes em que o mecanismo foi acionado foram agrupados pelo banco em cinco episódios: a crise financeira da Rússia em 1998, a desvalorização do real em 1999, a crise financeira global em 2008, o “Joesley Day” em 2017 e a pandemia de coronavírus em 2020. Doze meses após cada acionamento, o Ibovespa já havia mais do que compensado as perdas.

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Apesar do histórico positivo de recuperação do mercado acionário após grandes quedas, o BTG Pactual recomenda cautela com o atual momento. “Desta vez pode ser diferente, dado que a nossa situação fiscal é muito mais dramática, e o presidente Lula não parece reconhecê-la”, afirmam os analistas. Como se sabe, a reeleição do petista azedou o humor dos investidores por um motivo – sua absoluta falta de compromisso com a austeridade das contas públicas.

Em seu terceiro mandato, a dívida pública disparou de 72% para 83% do produto interno bruto (PIB), impulsionada pelo aumento desenfreado dos gastos. Com isso, Lula herdará de si mesmo, nos próximos quatro anos, a missão de administrar uma dívida de 11 trilhões de reais, que tende a crescer e representar 92% do PIB em 2029. Para financiá-la, os investidores exigem prêmios de risco cada vez maiores, onerando os cofres públicos com o pagamento de 1 trilhão de reais por ano em juros.

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Além disso, o arcabouço fiscal criado pelo governo fracassou em conter a expansão das despesas. Como resultado, os gastos obrigatórios já consomem mais de 90% do Orçamento da União, deixando pouquíssimo dinheiro para os gastos discricionários – aqueles que não são obrigatórios, mas que sustentam a manutenção da máquina pública e os investimentos em obras, por exemplo. A situação leva a maioria dos especialistas a prever a paralisação do governo em 2027 por falta de recursos.

Diante da má vontade de Lula em promover o ajuste fiscal – basta lembrar que, durante a campanha eleitoral, o presidente chamou de “babaquice” a necessidade de gerar superávits primários -, o mercado está cético. Para a bolsa, isso tende a se traduzir em estagnação. De acordo com o BTG, o Ibovespa “pode andar de lado até que o governo anuncie o que pretende fazer para endereçar a grave situação fiscal do país (se é que fará algo)”.

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O banco acrescenta que “as expectativas para um pacote fiscal relevante seguem baixas, incluindo as nossas. Ainda assim, dado o nível atual de estresse do mercado, mesmo um conjunto mais limitado de medidas poderia ajudar a estabilizar as ações e os juros de longo prazo”. Sem isso, uma recuperação como vista após os outros casos de circuit breaker permanece incerta.

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Fonte: veja.abril.com.br

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