Pesquisa da Omie mostra que apenas 19% dos empresários se consideram preparados para a reforma; prazo para opção pelo modelo híbrido termina nesta sexta-feira
A dois dias do prazo final para a escolha do regime híbrido da reforma tributária, oito em cada dez pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional ainda não tomaram uma decisão sobre o recolhimento dos novos impostos. É o que revela uma pesquisa da Omie, empresa especializada em sistemas de gestão, obtida pelo Radar Econômico. O levantamento, realizado com 410 empresários e gestores de pequenas e médias empresas, mostra que somente 21% dos entrevistados desse grupo já escolheram entre permanecer no modelo tradicional do Simples ou recolher separadamente o IBS e a CBS, novos tributos sobre o consumo.
O prazo para optar pelo regime híbrido termina nesta sexta-feira, 30. Nesse modelo, as empresas poderão recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, em vez de incluir esses tributos no Documento de Arrecadação do Simples Nacional. A decisão produzirá efeitos a partir de janeiro de 2027. As empresas que não fizerem a opção permanecerão na sistemática de recolhimento dos tributos pelo Simples Nacional.
O levantamento indica que a falta de preparação vai além da escolha tributária. Apenas 19% dos empresários afirmam estar totalmente preparados para a reforma, enquanto 63% pretendem revisar sua política de preços, 32% avaliam mudanças na estrutura societária ou no regime tributário e 31% planejam renegociar contratos. Entre as empresas do Simples, 32% ainda não avaliaram os impactos da mudança e 31% aguardam maior clareza regulatória.
Os dados mostram um empresário que segue contratando e planejando, mas com mais cautela. Os juros passaram a ser o principal obstáculo ao crescimento, e a Reforma Tributária soma uma nova camada de decisão para quem já opera com margens apertadas, afirma Felipe Beraldi, economista da Omie.
A preocupação tributária se soma ao peso dos juros sobre os negócios. A taxa de juros elevada foi apontada como principal barreira ao crescimento por 59% das pequenas e médias empresas, ante 49% no primeiro semestre. A parcela dos empresários que pretendem abrir novas vagas caiu de 37% para 26%, enquanto 54% esperam impactos negativos da economia sobre seus negócios nos próximos seis meses. Apenas 14% projetam melhora.
A pesquisa foi realizada por questionário online e reuniu 410 respostas válidas de empresários e gestores de pequenas e médias empresas, excluídos os microempreendedores individuais (MEIs). Segundo a Omie, o levantamento tem margem de erro estimada de cinco pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Fonte: veja.abril.com.br