Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Oposição exige explicações do governo Milei após fuga de Flávio pela Argentina

Deputados intimam chefe de gabinete, chanceler e ministra da Segurança para prestar esclarecimentos ao Congresso em meio a suspeita de colaboração oficial

A fuga do senador Flavio Bolsonaro (PL) pela Argentina, rumo aos Estados Unidos, abriu uma nova frente de batalha para o governo de Javier Milei no Congresso. Diferentes setores da oposição passaram a exigir explicações para estabelecer se houve cooperação oficial para ajudar o ex-candidato deixar o Brasil, violando ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta quarta-feira, 28, a Câmara dos Deputados se articula para convocar o chefe de gabinete de Milei, Diego Santilli; o chanceler, Pablo Quirno; e a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva de cuja pasta dependem a Direção Nacional de Migrações e a Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) a prestar esclarecimentos sobre o episódio.

As suspeitas de envolvimento do governo argentino aumentaram após a imprensa local revelar que Santiago Caputo, assessor político de Milei, estava no aeroporto de Puerto Iguazú onde Flávio embarcou com a família em um avião particular rumo a Miami, com escala em Guayaquil, no Equador. De acordo com o jornal Clarín, Caputo teria “monitorado a operação desde o início”.

Intimações

O deputado Pablo Juliano, do bloco Provincias Unidas, apresentou um pedido para intimar Quirno a esclarecer se houve conhecimento prévio ou colaboração de funcionários argentinos, e se foram utilizados recursos públicos, estruturas de segurança ou serviços de inteligência para facilitar o deslocamento do senador brasileiro. Por que o Estado argentino tem que ajudar aqueles que buscam escapar da Justiça?, questionou.

Continua após a publicidade

Pela coalizão peronista Unión por la Patria (UP), Agustín Rossi anunciou que solicitará a convocação de Santilli. “Bolsonaro fugiu. Milei o ajudou. Os fatos estão à vista. As explicações, não”, afirmou. “A Argentina não pode ser a rota de fuga de ninguém”, completou.

Por sua vez, Maximiliano Ferraro, da Coalizión Cívica, antecipou que exigirá a presença de Quirno e Monteoliva no plenário. O parlamentar acusou o governo de ter oferecido assistência operacional por meio do órgão de Migrações, da PSA e da Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE), sob a batuta de Caputo. “Eles precisam vir a público e prestar esclarecimentos ao Congresso”, exigiu.

Continua após a publicidade

Rota de fuga

Após a Direção Nacional de Migrações inicialmente negar qualquer registro de entrada de Flávio no território argentino, o órgão reconheceu posteriormente que o ex-candidato presidencial chegou ao país terça-feira, às 22h50, pela ponte internacional Tancredo Neves que liga o Paraná a Puerto Iguazú , acompanhado de sua esposa, Fernanda, e as duas filhas. De lá, seguiu para o aeroporto na província de Misiones, escoltado por agentes da PSA, e embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador. Na manhã desta quarta-feira, ele chegou a Miami.

Na Casa Rosada, afirmaram que não havia mandados de prisão nem impedimentos migratórios registrados que justificassem barrar sua entrada. No entanto, o ministro do STF Alexandre de Moraes havia proibido o ex-candidato de deixar o Brasil e determinado a entrega de seus passaportes, no âmbito de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro, relacionada ao advogado Willer Tomaz e esquemas de bets.

Continua após a publicidade

A fuga ocorreu após Flávio ser derrotado no segundo turno da eleição presidencial por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem Milei evitou parabenizar pela vitória.

A controvérsia surge em um momento sensível para a base governista, que acaba de firmar um acordo com seus aliados para avançar com a chamada “Lei Malvinas”. O texto cria um Conselho de Segurança Nacional e estabelece mecanismos de atuação diante de ameaças graves ou iminentes. A possível participação de órgãos estatais argentinos na operação de fuga de Flávio Bolsonaro pode reforçar as críticas da oposição às novas atribuições que o governo pretende estabelecer no campo da segurança nacional.

Publicidade

Fonte: veja.abril.com.br

Compartilhar