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Petróleo fica 11% mais caro em reais após eleição e pressiona combustíveis

Mesmo com recuo do Brent no exterior, disparada do dólar amplia pressão sobre diesel e gasolina; governo também precisa decidir futuro dos subsídios

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva trouxe uma nova complicação para a política de combustíveis. No primeiro pregão após o segundo turno, a disparada do dólar fez o preço internacional do petróleo subir cerca de 11% em reais, apesar da queda da commodity no exterior. O movimento amplia a pressão sobre as importações de diesel e gasolina e estreita a margem do governo para continuar segurando os preços nas bombas.

Na sexta-feira, o Brent encerrou as negociações a US$ 116,72 por barril, enquanto o dólar fechou a R$ 4,993. A combinação equivalia a aproximadamente R$ 583 por barril. Nesta segunda-feira, com o petróleo negociado próximo de US$ 115 e o dólar chegando a R$ 5,60, o mesmo cálculo passou a indicar cerca de R$ 645. A conversão é uma referência da pressão cambial, não o custo efetivo de importação dos derivados.

O problema é especialmente delicado para o diesel. Na semana passada, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) já calculava uma defasagem de R$ 3,50 por litro entre os preços praticados nas refinarias da Petrobras e a paridade internacional. A desvalorização do real tende a ampliar essa diferença, caso os demais componentes da conta permaneçam constantes.

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A pressão chega justamente quando o governo precisa decidir se prorroga a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, cujo prazo de vigência termina nesta virada de mês. Há ainda um benefício adicional de R$ 1,40 para importadores, criado para manter a viabilidade das compras externas. Aproximadamente um terço do diesel consumido no Brasil vem do exterior.

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A Petrobras fica no centro do dilema. A manutenção dos preços amplia a distância em relação ao mercado internacional, enquanto novos reajustes podem pressionar os custos do transporte, os alimentos e a inflação. Para o governo reeleito, a escolha ficou mais difícil: preservar os mecanismos de proteção significa prolongar seu custo fiscal; reduzi-los pode aumentar a pressão sobre os combustíveis num momento de forte turbulência financeira.

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Fonte: veja.abril.com.br

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