Em meio às discussões sobre a formação do novo governo do presidente Lula, o mercado financeiro segue atento aos sinais da futura equipe econômica e às diretrizes para as contas públicas. Vale a pena vender imóvel quitado para aplicar o dinheiro? Operação Unha e Carne: PF faz buscas em endereços ligados a Adilsinho e Márcio Poncio Em entrevista ao Jornal da CBN, o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, afirmou que ainda é cedo para avaliar a política econômica do governo.

Em meio às discussões sobre a formação do novo governo do presidente Lula, o mercado financeiro segue atento aos sinais da futura equipe econômica e às diretrizes para as contas públicas. Vale a pena vender imóvel quitado para aplicar o dinheiro? Operação Unha e Carne: PF faz buscas em endereços ligados a Adilsinho e Márcio Poncio Em entrevista ao Jornal da CBN, o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, afirmou que ainda é cedo para avaliar a política econômica do governo. Para ele, a credibilidade dependerá de uma equipe econômica respeitada, de uma agenda de ajuste fiscal e do apoio político do presidente. "Você precisa indicar uma equipe de confiança, uma equipe que tenha credibilidade, que empreste reputação à gestão da economia como um todo. É preciso apresentar uma agenda de estabilização, no nosso caso aqui, uma estabilização fiscal. E, principalmente, é preciso apoio do presidente." Para Padovani, há consenso técnico sobre as medidas necessárias para equilibrar as contas públicas. O desafio, no entanto, é garantir apoio e vontade política para implementar os ajustes. "Todos os candidatos, sem exceção, todos defenderam um ajuste. Então, o tema de controle das contas públicas está bem colocado. Eu acho que os governos vão, de modo geral, responder a essa demanda da população. Agora, a dúvida, esse eu acho que é o seu ponto, é saber qual é a intensidade desse ajuste." Dívida pública O economista alertou que a trajetória da dívida pública tem efeitos diretos sobre o cotidiano da população. "Quando você tem uma dívida em alta, que é o que a gente tem visto ao longo dos últimos quatro anos, isso pressiona a taxa de juros, pressiona o câmbio, pressiona a inflação. Isso gera instabilidade macroeconômica, que é ruim, no final do dia, para o crescimento econômico e o emprego." Cenário externo Além dos desafios internos, o novo governo deverá enfrentar um cenário internacional mais adverso, marcado pela alta dos juros em economias como Estados Unidos e países europeus. "O governo Lula 4 vai encontrar uma economia internacional bastante desfavorável. O debate todo é alta de juros. os juros estão subindo na Europa, nos Estados Unidos e no Japão. Nesses ambientes, os investidores normalmente ficam muito mais cautelosos." Reforma tributária Outro tema abordado foi a implementação da reforma tributária. Roberto Padovani afirmou que a simplificação do sistema e a melhora do ambiente de negócios podem estimular investimentos e crescimento no médio e longo prazo. Porém, o período de transição traz custos e incertezas para as empresas. "A gente está num período de transição, e esses períodos de transição são acompanhados por muita insegurança, muita incerteza. Então, de modo geral, dá para dizer que as empresas estão enfrentando custos elevados [...] a médio prazo vai valer a pena, mas tem custo no curto prazo."
Fonte: cbn.globo.com