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Temor de bolha da IA provoca banho de sangue nas bolsas da Ásia

Coreia do Sul aciona mecanismo de contenção de vendas após queda de 5%; Japão afunda e China enfrenta segundo dia de derrocada

Uma onda de vendas tomou conta das principais bolsas asiáticas na manhã desta sexta-feira (30), alimentada pelo temor de que os investimentos bilionários em inteligência artificial tenham criado uma bolha nos mercados financeiros. Na Coreia do Sul, a queda do índice Kospi chegou a superar 5%, obrigando a bolsa a acionar um mecanismo de contenção de ordens de venda. No Japão, o Nikkei perdeu quase 2 mil pontos, enquanto a China enfrentou o segundo dia consecutivo de forte desvalorização das ações de tecnologia. O movimento ocorre após resultados de gigantes americanas reacenderem dúvidas sobre a capacidade do setor de transformar investimentos recordes em lucros e geração de caixa.

O episódio mais grave ocorreu na Coreia do Sul. Às 10h04, no horário local, a Bolsa de Seul acionou o chamado sidecar, mecanismo que suspende por cinco minutos a execução de ordens programadas de venda quando os contratos futuros apresentam oscilações excessivas. Foi a primeira ativação do dispositivo desde 15 de outubro, quando o Kospi havia despencado 7,57%. Por volta das 10h13 desta sexta-feira, o índice recuava 5,01%, com os estrangeiros registrando vendas líquidas de aproximadamente 636 bilhões de wons. A Samsung Electronics perdia 5,39%, enquanto a SK Hynix, uma das principais fornecedoras mundiais de memórias utilizadas em sistemas de inteligência artificial, desabava 8,98%.

No Japão, a situação também se deteriorou rapidamente. O índice Nikkei chegou a perder mais de 1.900 pontos durante a manhã, segundo a emissora Nagoya TV. A liquidação atingiu especialmente fabricantes de equipamentos e componentes para semicondutores. A Advantest, fornecedora de equipamentos de testes para chips, caía quase 9% por volta das 10h, enquanto a Tokyo Electron recuava aproximadamente 5%. A Ibiden, fabricante de substratos utilizados em semicondutores e historicamente ligada à Intel, atingiu o limite diário de queda, com desvalorização de 15,21%. Apesar da intensidade do movimento, a pressão japonesa estava concentrada nas grandes empresas de tecnologia, e não em todos os setores da economia.

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Na China, a turbulência ganhou um segundo capítulo. Depois de mais de 4.700 ações terem encerrado a quinta-feira em queda, a abertura de sexta-feira registrou 5.109 papéis em baixa, contra apenas 421 em alta, segundo dados divulgados pelo portal financeiro Tonghuashun. Às 9h31, o índice STAR 50, que concentra empresas de tecnologia, despencava 3,41%, enquanto o ChiNext recuava 3,12% e o índice de Xangai perdia 1,45%. Na quinta-feira, o STAR 50 já havia caído 4,27% e o ChiNext, 4,45%. Fabricantes de chips, equipamentos de comunicação e componentes utilizados em data centers estão entre os segmentos mais pressionados.

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O fator comum identificado pela imprensa financeira japonesa, coreana e chinesa está nos balanços das grandes empresas americanas. A Alphabet, controladora do Google, perdeu 12,6% de seu valor de mercado na quinta-feira, após revelar forte pressão dos investimentos em inteligência artificial sobre seu fluxo de caixa. A preocupação aumentou depois que Intel e Amazon também sofreram quedas expressivas nas negociações posteriores ao fechamento de Wall Street. O mercado passou a questionar não apenas o ritmo de expansão dos investimentos em infraestrutura de IA, mas principalmente quanto tempo será necessário para que essas despesas produzam retornos compatíveis com as avaliações das companhias.

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O temor de uma bolha encontra mercados que já vinham dando sinais de fragilidade. Na China, levantamentos da imprensa financeira mostram uma redução expressiva das operações alavancadas e perdas acumuladas de trilhões de yuans em setores ligados à tecnologia. Na Coreia do Sul, a concentração do índice em grandes fabricantes de semicondutores amplificou a reação aos balanços americanos. A queda simultânea das bolsas asiáticas evidencia uma reavaliação internacional do risco associado à inteligência artificial, embora ainda não exista comprovação de um colapso da demanda pela tecnologia. O receio imediato dos investidores é que as expectativas de crescimento tenham avançado muito mais rapidamente do que a capacidade das empresas de transformar a expansão em resultados financeiros.

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Fonte: veja.abril.com.br

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