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12 documentários que estão dando o que falar; confira

História de Elizabeth Holmes e títulos de Paul Thomas Anderson e Sofia Coppola estão na lista

Pessoas se juntaram desde as primeiras horas da manhã pela remota chance de conseguir ver em primeira mão You Can See Everything, o documentário de Nathan Fielder sobre Elizabeth Holmes, que teve uma estreia com ingressos esgotados em Nova York na quarta-feira (30), antes de chegar aos cinemas nos EUA em duas semanas. No Brasil, ainda não há previsão de lançamento.

Uma pessoa de sorte tinha um ingresso do qual precisava se desfazer por causa de um compromisso com os filhos. Ela lançou a notícia em um chat do Discord organizado para o Festival de Nova York, onde o documentário estava sendo exibido após uma prévia surpresa em Telluride, em setembro. O vendedor foi assediado, primeiro por dezenas, depois por mais de 200 pessoas. Eles organizaram um sorteio, transmitido ao vivo no YouTube o interesse era grande demais para gerenciar.

A expectativa vem crescendo na internet há semanas. Um pequeno trecho de Fielder ao lado de Holmes acumulou quase oito milhões de visualizações no YouTube desde que foi lançado junto com a exibição em Telluride. Pergunte às pessoas o que elas não veem a hora de assistir neste mês de outubro, e isso provavelmente estará no topo da lista.

You Can See Everything, uma colaboração entre Fielder e o prodígio dos documentários Lance Oppenheim, é um dos vários documentários que dominaram a conversa cultural nas últimas semanas, variando de temas sobre direitos humanos ou músicos adorados a favoritos experimentais do público. Isso sem contar as séries documentais de alto perfil em streaming sobre Jay-Z e o falecido ator de Friends, Matthew Perry, respectivamente. Estamos vivendo um renascimento dos documentários?

É possível interpretar essa abundância de documentários como uma resposta a um mundo em que nada parece real. Em um mundo inundado por inteligência artificial, estamos vacilando à beira do vale da estranheza, disse o documentarista Christopher Chambers, que está se preparando para lançar o documentário sobre direitos humanos A Fire Within.

Estamos neste abismo e todos queremos sentir algo real. Acho que nada nos aproxima mais dessa sensação de que algo é real e verdadeiro do que o documentário”.  Isso não significa que seja um momento fácil para ser um documentarista. Arrecadar dinheiro para documentários é extremamente difícil, disse Chambers.

Qquando um grande documentário ganha apelo, como a febre de A Máfia dos Tigres em 2020, isso cria na mente dos investidores, mas, mais importante, na mente dos compradores, a ideia de que existe um público para isso.

Veja abaixo os documentários que lançam ainda este ano e estão dando o que falar. 

You Can See Everything

Apenas um mês antes da data em que deveria se apresentar à prisão, a caótica fundadora da Theranos, Elizabeth Holmes, convidou o homem que transformou o constrangimento social em uma forma de arte para sua casa. O resultado é talvez o documentário mais aguardado do ano.

The History of Concrete

A estreia ensaística do diretor John Wilson aborda o tema da criação de documentários diretamente, acompanhando sua luta enlouquecedora para garantir financiamento, mesmo depois de alcançar um sucesso relativo.

Por mais que divague, o filme de Wilson está enraizado em uma celebração da realidade marcada por episódios mais estranhos do que a deepfake de IA mais bizarra, momentos que você não pode prever nem mesmo escrever, disse Wilson em uma entrevista.

E o público está gostando. O filme superou todas as nossas expectativas, com a maior estreia para um documentário na história do IFC Center em Nova York, disse o vice-presidente do cinema, Harris Dew. Para Wilson, o sucesso de um filme amplamente rejeitado pelos financiadores tradicionais é um sinal de que os espectadores estão ansiosos por produções que fujam do convencional.

As pessoas deveriam tentar experimentar e fazer coisas estranhas, porque acho que todo mundo está muito cansado das mesmas coisas de sempre por aí, disse.

Musk

O panorama de quatro horas de Alex Gibney sobre a vida e os fracassos do homem mais rico do mundo antecipou a estreia nos cinemas dos Estados Unidos para 9 de outubro devido à alta demanda. No Brasil, ainda não há previsão de lançamento.

O filme acrescenta relativamente pouco à enxurrada de reportagens que jornalistas realizaram nos últimos anos sobre os fracassos financeiros de Elon Musk e sua busca pelo poder. Ele se destaca principalmente como um documento de arquivo. Quando Elon nos levar a Marte, as pessoas assistirão a este documentário para ter o relato definitivo de como chegamos lá.

NAZA

Apresentando entrevistas com membros anônimos do exército israelense falando sobre sistemas usados para alvejar civis em Gaza em massa, NAZA é o favorito dos festivais deste ano, abrindo em Veneza com aplausos recorde de 25 minutos. O filme, que tem produção executiva de Jonathan Glazer, diretor de A Zona de Interesse, recebeu elogios e também levou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a ameaçar revogar a cidadania de seus dois diretores israelenses, Yuval Abraham e Rachel Szor (que, ao lado dos cineastas palestinos Basel Adra e Hamdan Ballal, fizeram parte da equipe por trás do vencedor do Oscar No Other Land).

Barbara Forever

Quando a diretora Brydie O’Connor apresentou a ideia de Barbara Forever, um documentário sobre a cineasta lésbica de vanguarda Barbara Hammer, um executivo de uma rede de TV lhe disse que era difícil financiar documentários cujos conteúdos ficassem fora dos três Cs: cultos, crimes e celebridades. Mas o filme tem sido mais bem-sucedido do que O’Connor jamais esperava, ganhando prêmios em Sundance e na Berlinale.

Isso me dá tanta esperança para o futuro do cinema documental porque acho que mostra que há apetite, disse O’Connor em uma entrevista. A recepção para este filme, para Barbara Forever, é como a própria esperança.

Cena do documentário “Barbara Forever” Away Team

My Undesirable Friends: Part II Exile

Se Meus Amigos Indesejáveis: Parte 1 – Último Ar em Moscou não foi o suficiente para você, com suas quase seis horas de duração, não se preocupe: a diretora Julia Loktev lançou uma parte dois, também com quase seis horas. Uma exploração no estilo “cinema verité” sobre jornalistas independentes na Rússia enfrentando o autoritarismo crescente no contexto da invasão em grande escala da Ucrânia. O tema é nobre, mesmo que a duração seja um crime contra os cinefilos.

Clown Panic

Lembra quando palhaços assustadores tomaram conta dos subúrbios? O Hulu lembra e está pronto para lembrá-lo com um trailer de documentário que parece mais o de um filme de terror.

Once Upon a Time in Harlem

Em 1972, os últimos participantes sobreviventes do Renascimento de Harlem se reuniram no sobrado de Duke Ellington em Harlem, em Nova York. O que aconteceu lá não havia sido visto até agora, com uma colaboração entre pai e filho que levou 50 anos para ser concluída.

Making Marie Antoinette

Há duas décadas, a efervescente e pastel releitura de Sofia Coppola sobre a vida de Maria Antonieta espalhou-se pelas grandes telas e nunca mais saiu de cena. A retratação de Coppola sobre a solidão e a confusão de uma jovem exposta aos olhos do público ainda ressoa hoje talvez ainda mais em nosso mundo hiperdocumentado. Este documentário de bastidores sobre a produção do filme é composto por filmagens da falecida Eleanor Coppola, mãe de Sofia.

“Making Marie Antoniette” estreia na Mubi em 6 de novembro.

Cameron Winter at Carnegie Hall

Como dar sequência após levar para casa os Oscars de Melhor Filme e Melhor Diretor? Se você é Paul Thomas Anderson, é documentando a revelação do rock emergente Cameron Winter, o vocalista da banda Geese, enquanto ele se apresenta em um show solo no local mais prestigiado de Nova York.

“Cameron Winter at Carnegie Hall”, de Paul Thomas Anderson Ghoulardi Film Company

Norm: The Tale of Norm MacDonald

Comediante sobre comediante: Judd Apatow aborda a vida do falecido comediante Norm MacDonald, que morreu em 2021. O documentário da Netflix, que estreia em 16 de outubro, é amplamente baseado em imagens de arquivo das muitas apresentações do humorista.

Oasis: Dont Look Back in Anger

O documentário do Oasis supostamente oferece poucas respostas sobre o que precedeu a tão esperada turnê de reunião dos irmãos Gallagher. Mas apresenta muitas filmagens de shows deslumbrantes, trazidas a você pela equipe por trás do filme de show do LCD Soundsystem, Shut Up and Play the Hits.

“Oasis: Don’t Look Back in Anger” estreia no Disney+ em 9 de outubro.

 

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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