Analista avalia o cenário eleitoral e aponta os fatores que ajudam a explicar o acirramento da disputa entre Lula e Flávio às vésperas do segundo turno
A reação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas ruas e nas redes sociais é um dos principais fatores por trás do acirramento da disputa presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo o analista político e econômico Beny Fard. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o especialista afirmou que a mobilização dos apoiadores petistas no segundo turno ajudou a reduzir a vantagem do candidato do PL, apontada anteriormente pelos institutos de pesquisa. Para Fard, a mudança reflete uma recuperação da capacidade de mobilização do PT e uma atuação mais intensa da campanha de Lula no ambiente digital. (este texto é um resumo do vídeo acima)
As pesquisas apresentadas no programa mostram uma disputa apertada a dois dias da votação. No levantamento da Real Time Big Data, Flávio Bolsonaro aparece com 52% dos votos, contra 48% de Lula, em um cenário de empate técnico, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais.
Como a campanha de Lula conseguiu reagir?
Na avaliação de Beny Fard, um dos fatores que ajudam a explicar a reação de Lula nas pesquisas é a redescoberta, pelo Partido dos Trabalhadores, de sua capacidade de mobilização popular. Segundo o analista, a volta dos apoiadores petistas às ruas, acompanhada de uma atuação mais intensa nas redes sociais, deu novo impulso à campanha presidencial no segundo turno.
O analista também atribuiu parte da reação à experiência política do presidente. Segundo Fard, Lula conseguiu estimular uma militância que estava menos presente nas ruas e transformar essa mobilização em um elemento importante da reta final da campanha. “O eleitor de esquerda estava retraído. Ele voltou às ruas”, disse. Na avaliação do especialista, Lula tem servido de inspiração para a mobilização de seus apoiadores na busca por mais um mandato.
Onde Flávio Bolsonaro perdeu espaço?
Para Beny Fard, a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou dificuldades depois da vantagem conquistada no primeiro turno. O analista avaliou que o senador adotou inicialmente uma postura excessivamente confiante e passou a atuar de maneira mais defensiva diante da reação petista. Segundo ele, essa mudança de comportamento abriu espaço para que Lula recuperasse terreno na disputa.
“Flávio ficou muito na defensiva nesse segundo turno. No começo, ele ficou um pouco em cima do salto alto, como a gente diz, um movimento de já ganhou”, afirmou.
Fard ponderou, porém, que o candidato do PL também demonstrou força inclusive no Nordeste, região historicamente associada ao apoio eleitoral à esquerda. O especialista destacou a capacidade de articulação e o engajamento de Flávio na região, apontando esse movimento como um sinal de que a disputa também envolve mudanças no perfil e nas prioridades dos eleitores brasileiros.
Por que o eleitorado brasileiro está tão dividido?
Na avaliação de Fard, a divisão do eleitorado está relacionada às transformações socioeconômicas ocorridas nas últimas décadas. Segundo ele, parte dos brasileiros que antes integravam as camadas de menor renda ascendeu socialmente e passou a ter expectativas diferentes em relação à economia e ao papel do Estado. Para o analista, esse movimento ajuda a explicar por que eleitores com prioridades distintas se identificam com projetos políticos opostos.
De um lado, conforme a análise de Fard, estão eleitores que priorizam a estabilidade proporcionada pelo emprego com carteira assinada, a proteção social e uma presença maior do Estado na economia, características que ele associa à esquerda. Do outro, estão aqueles que valorizam o empreendedorismo, a possibilidade de abrir o próprio negócio, a liberdade econômica e um Estado menor, princípios que o especialista relaciona à direita.
Segundo Fard, essa diferença de expectativas contribui para a formação de dois grandes campos eleitorais e ajuda a explicar a dificuldade de candidaturas alternativas conquistarem espaço na disputa presidencial.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Fonte: veja.abril.com.br