Reação do presidente fez o senador deixar o oba-oba de lado, retomar atos de campanha e ajustar o discurso
Depois de vencer o primeiro turno com uma vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o presidente Lula, o senador Flávio Bolsonaro e o PL entraram numa clima de oba-oba, como se a corrida ao Palácio do Planalto já estivesse decidida. A uma semana da votação, o otimismo continua, mas o nível de euforia baixou diante do acirramento da disputa.
Pesquisas recentes mostram os dois candidatos em situação de empate técnico. No Datafolha, o Zero Um continua numericamente à frente, mas a distância encurtou: de 52% a 48% para 51% a 49%, mesmo resultado do levantamento da Quaest. Além desses números, as próprias ações de Flávio Bolsonaro e seus aliados mostram que o duelo com Lula se tornou mais equilibrado nos últimos dias.
Eleito para o Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro, o filho Zero Dois de Jair Bolsonaro, recorreu às redes sociais para pedir que não haja desmobilização dos eleitores de direita, sobretudo num momento em que a campanha de Lula trabalha para reduzir a abstenção nos colégios eleitorais que dão mais votos ao presidente.
“Repito insistentemente: não há nada ganho, e todos precisamos nos mobilizar em todas as frentes, escreveu Carlos Bolsonaro. Cada voto conta, acrescentou em outra oportunidade. Depois de passar dias tratando de apoios partidários e se dedicando a articulações de bastidor, Flávio Bolsonaro se viu obrigado a voltar às ruas, em resposta às manifestações populares a favor de Lula realizadas Brasil afora, que deram um gás extra à campanha do petista.
Diante da recuperação do presidente, que ganhou terreno inclusive nas redes sociais, Flávio Bolsonaro também teve de rever estratégias e discursos. Depois de anunciar que não participaria do debate entre os candidatos a presidente na TV Bandeirantes, marcado para este domingo 18, ele recuou e confirmou presença.
O senador ainda mudou de postura quanto à proposta de emenda constitucional que acaba com a escala 6×1, sem redução de salário. De início, ele disse que a iniciativa, bandeira de campanha de Lula, era oportunista e defendeu a livre negociação da jornada de trabalho entre o patrão e o empregado. Depois, devido ao amplo apoio popular à medida, votou a favor da PEC, que já foi aprovada e promulgada.
Fonte: veja.abril.com.br