Aliados de Flávio Bolsonaro evitaram repercutir a primeira manifestação pública dele depois da fuga para os Estados Unidos em que o senador insinua, sem provas, fraude nas urnas e fala em novas eleições antes de 2030. O sentimento entre as lideranças da direita é tentar se afastar de discursos de fraude nas eleições para não ser associado a discursos golpistas. Por isso, o momento tem sido de não comentar as falas de Flávio para evitar qualquer manifestação de apoio à fuga. A e

Aliados de Flávio Bolsonaro evitaram repercutir a primeira manifestação pública dele depois da fuga para os Estados Unidos em que o senador insinua, sem provas, fraude nas urnas e fala em novas eleições antes de 2030. O sentimento entre as lideranças da direita é tentar se afastar de discursos de fraude nas eleições para não ser associado a discursos golpistas. Por isso, o momento tem sido de não comentar as falas de Flávio para evitar qualquer manifestação de apoio à fuga. A estratégia de silêncio também é uma forma de preservar a auto-imagem e, aos poucos, tentar se descolar de uma linha mais radical. Interlocutores têm dito de forma reservada que é hora de tentar reorganizar a direita em torno de pautas menos extremistas para isolar discursos anti-democráticos e abandonar a linha bolsonarista de ataque às instituições para não comprometer a própria oposição ao governo Lula no próximo mandato. Um levantamento feito pelo jornal O Globo mostrou que a carta golpista divulgada pelo candidato derrotado à presidência foi ignorada por três em cada quatro políticos eleitos pelo PL. Dos 155 escolhidos para representar o partido no Congresso e nos governos estaduais, 117 ignoraram o texto, o que representa 75%, enquanto 38 compartilharam ou defenderam o conteúdo do documento. O cenário demonstra que o caminho adotado por Flávio pode desgastara imagem do partido e insistir nessa linha pode ser ruim para a própria articulação política da direita a partir do próximo ano. Flávio Bolsonaro apareceu publicamente em uma live transmitida nas redes sociais dois dias depois da fuga. No vídeo, ele diz que a ida aos Estados Unidos não foi sinal de fraqueza, voltou a insistir na tese de fraude nas eleições sem nenhuma prova, chegou a insinuar que os eleitores de Lula não eram reais e falou em "novas eleições antes de 2030". Em meio à tensão diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos, após a fuga de Flávio, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, se encontraram nesta sexta-feira na cúpula de chanceleres do G20, que acontece em Atlanta. Os dois conversaram e acertaram um novo encontro antes da cúpula do G20, marcada para dezembro deste ano. O encontro acontece em meio às desconfianças de que o governo de Donald Trump possa ter ajudado na fuga de Flávio. Trump também não reconheceu a vitória de Lula.
Fonte: cbn.globo.com