Juros elevam preocupação com trajetória da dívida, que chegou a R$ 11,1 trilhões e retomou patamar da pandemia; a avaliação é da analista e editora de Economia da CNN Lucinda Pinto ao CNN Prime Time
A Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 82,9% do PIB em agosto, equivalente a R$ 11,1 trilhões, segundo o Relatório de Estatísticas Fiscais divulgado pelo Banco Central. A analista e editora de Economia da CNN Lucinda Pinto comenta o tema ao CNN Prime Time.
O resultado representa um aumento de 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior e retoma o patamar registrado em março de 2021, período marcado pela pandemia.
No mês de agosto, o setor público acumulou um déficit de R$ 10 bilhões. Embora o número seja inferior ao déficit de R$ 17 bilhões registrado em agosto do ano anterior, Lucinda destacou que, ao se observar o acumulado, a dinâmica da dívida revela uma piora significativa.
Trajetória preocupante da dívida
Segundo Lucinda Pinto, a dívida bruta saiu de 78,6% do PIB no início do ano e saltou para os atuais 82,9%. “A gente retomou agora o patamar de março de 2021, quando havia pandemia”, afirmou.
“Naquele momento, por conta das medidas necessárias que o governo precisou adotar para apoiar a população no meio daquela crise sanitária, a dívida cresceu muito e a gente, sem pandemia, voltou para esse patamar”, explicou a analista.
Entre janeiro e agosto, o governo pagou R$ 861 bilhões em juros. No mesmo período, o governo central acumulou um déficit de R$ 97,1 bilhões, enquanto os governos regionais registraram superávit de R$ 16,2 bilhões resultado influenciado, em parte, pela transferência de royalties do petróleo.
As estatais, por sua vez, apresentaram déficit de R$ 8 bilhões.
Juros e controle de gastos: um ciclo difícil de romper
Lucinda Pinto ressaltou que o nível da taxa de juros impacta diretamente o avanço da dívida, mas que, sem um ajuste fiscal e uma mudança na dinâmica dos gastos, não será possível fazer os juros recuarem. “É uma situação que precisa ser encarada, enfrentada em 2027”, afirmou.
A analista também alertou que 2027 deve ser um ano de crescimento mais fraco do PIB, o que agrava ainda mais a relação dívida/PIB: “Quanto menor o crescimento do PIB, mais essa relação vai crescendo”.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br