Donald Trump minimiza bombardeio a ilha iraniana no Estreito de Ormuz em meio a especulações de ofensiva renovada após as midterms
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, advertiu, nesta terça-feira, 3, que uma retomada das hostilidades no Oriente Médio não beneficiaria “ninguém”, pouco depois de um ataque dos Estados Unidos contra uma de suas ilhas no Estreito de Ormuz. O disparo caracterizado por forças americanas como “defensivo” ocorreu em meio a uma tentativa de renovar as costuras diplomáticas para encerrar o conflito, com países do Golfo Pérsico apreensivos de que o presidente Donald Trump retome a batalha depois das eleições de meio de mandato.
Em declarações à emissora Fox News, Trump confirmou nesta terça que o Exército americano tinha atacado uma instalação antiaérea da república islâmica. Segundo a agência de notícias iraniana IRNA, pelo menos cinco explosões foram ouvidas na ilha de Qeshm, no estratégico Estreito de Ormuz. Seus moradores viram dois aviões no céu, acrescentou a publicação.
“Construíram uma instalação antiaérea. Levaram dois meses. Assim que a concluíram, a atingimos muito bem ontem à noite”, disse o republicano, qualificando a ação de um “ataque menor”.
O vice-ministro iraniano de Relações Exteriores, Kazem Qaribabadi, declarou que Teerã se reservava o direito de defesa depois do bombardeio.
Durante uma reunião de gabinete, por sua vez, Pezeshkian declarou que “ninguém vai tirar proveito algum desta guerra”. Segundo ele, o encontro de autoridades iranianas ocorreu para buscar uma saída para o conflito “mediante o diálogo”. Em sua intervenção, o presidente também destacou que o guia supremo do Irã havia concedido ao governo “poderes” para abordar nas conversas com Washington “questões que antes eram consideradas tabu”. Ele não deu mais detalhes.
Negociações ‘muito intensas’
Os Estados Unidos, em parceria com Israel, iniciaram a guerra com uma onda maciça de ataques surpresa contra o Irã no fim de fevereiro, mas não alcançaram seus objetivos bélicos e o conflito está estagnado há meses.
Além disso, o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, por onde antes transitava um quinto do petróleo comercializado no mundo, e os ataques à infraestrutura petrolífera no Golfo provocaram uma disparada nos preços globais de combustíveis.
O descontentamento com a guerra e a consequente inflação podem resultar em um duro revés para o Partido Republicano de Trump nas chamadas midterms, celebradas nesta terça-feira nos Estados Unidos.
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A primeira fase da guerra, a mais intensa, deixou milhares de civis mortos após 40 dias de bombardeios iniciados em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel. Após um cessar-fogo em abril e um protocolo de acordo, a situação foi pelos ares em julho, como novos ataques cruzados, especialmente no entorno de Ormuz.
Nos últimos dias, vários veículos reportaram sobre uma possível campanha militar renovada de Israel e Estados Unidos após as eleições realizadas nos dois países. O Irã, no entanto, falou estar engajado em negociações indiretas “muito intensas” na segunda-feira; já Trump disse que um acordo com Teerã “poderia acontecer”.
O Catar, mediador do conflito, afirmou nesta terça que “as duas partes seguem comprometidas com o processo de negociação”.
“Mantemos a esperança de que ainda haja uma chance de alcançar um acordo”, disse o porta-voz de sua chancelaria, Majed al Ansari.
Exigências do Irã
Nesta semana, a república islâmica anunciou que tinha proposto, através dos mediadores, um plano para reabrir o Estreito de Ormuz no prazo de dois dias em vez de sete, como sugerido anteriormente.
Teerã condiciona esta reabertura a que Washington aceite o fim da guerra em todas as frentes, descongele ativos iranianos em bancos estrangeiros, suspenda sanções petrolíferas e o encerre contra-bloqueio americano aos portos iranianos. Também pede que os Estados Unidos aceitem “a nova rota acordada entre Irã e Omã para o trânsito pelo Estreito de Ormuz”.
“A bola agora está no campo dos Estados Unidos para evitar a guerra”, disse, nesta terça-feira, o principal negociador iraniano e presidente de seu Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Fonte: veja.abril.com.br