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Ata do banco central americano sinaliza nova alta dos juros ainda neste ano

Maioria dos dirigentes do Fed considera apropriado elevar a taxa, diante da avaliação de que a política monetária ainda restringe pouco a economia

A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) reforçou a possibilidade de uma nova alta dos juros nos Estados Unidos ainda neste ano. Divulgado nesta quarta-feira, 7, o documento mostra que a maioria dos dirigentes considera apropriado elevar novamente a taxa básica diante da dificuldade de levar a inflação de volta à meta nacional de 2% ao ano. O prognóstico, porém, não representa um compromisso com uma nova alta, já que os próximos passos dependerão da evolução dos indicadores econômicos.

Na avaliação de parte dos integrantes do Fed, os juros atuais ainda exercem pouca pressão sobre a economia. Vários dirigentes consideraram a política monetária não restritiva ou apenas levemente restritiva, enquanto dois elevaram suas estimativas para a chamada taxa neutra, nível de juros que não estimula nem desacelera a atividade. As condições financeiras também continuavam, na visão de muitos participantes, favoráveis ao crescimento, apesar da alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.

Esse diagnóstico ajuda a explicar a disposição do banco central de manter os juros em uma trajetória mais elevada. Para muitos dirigentes, uma política mais restritiva serviria como proteção caso a demanda se mostre mais forte que o esperado ou novos choques de oferta mantenham a inflação acima da meta por mais tempo. Outros participantes apoiaram um aperto adicional com base em suas próprias perspectivas para a economia.

O Fed já havia elevado os juros em 0,25 ponto percentual na reunião de 15 e 16 de setembro, levando a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão foi unânime. Embora todos tenham apoiado a elevação, os dirigentes apresentaram justificativas diferentes para a medida: alguns enfatizaram a necessidade de conter os efeitos de choques recentes sobre os preços, enquanto outros apontaram a necessidade de reagir à possibilidade de uma inflação mais pressionada pela demanda.

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As projeções divulgadas após aquele encontro dão uma dimensão da expectativa de novos aumentos. Dos 18 dirigentes que apresentaram previsões, 16 projetavam outra alta dos juros ainda neste ano, em linha com a avaliação predominante de que uma nova elevação seria apropriada.

Inflação ainda preocupa

O ritmo de queda dos preços segue como um dos principais obstáculos para uma eventual pausa no aperto monetário. Segundo a ata, os dirigentes não identificaram avanço suficiente na redução da inflação nos meses anteriores à reunião. As preocupações envolvem tanto os serviços, excluindo a habitação, quanto os preços de bens que integram o núcleo da inflação.

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Os dirigentes também discutiram fatores capazes de prolongar esse quadro. Os preços de energia, influenciados por acontecimentos geopolíticos, podem elevar custos de transporte e de outros insumos. Para parte dos participantes, a permanência desses preços em níveis elevados por mais tempo aumentaria o risco de que os efeitos se espalhassem por outros segmentos da economia.

A inteligência artificial apareceu como outro possível vetor de pressão. A expansão dos investimentos em infraestrutura para IA tem aumentado a demanda por equipamentos tecnológicos. Embora o Fed espere ganhos de produtividade decorrentes desse processo, alguns dirigentes avaliam que, no médio prazo, a demanda adicional pode superar a capacidade de oferta da economia e contribuir para uma inflação mais alta.

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Mercado de trabalho dá mais espaço para alta

A avaliação sobre o mercado de trabalho também favoreceu a possibilidade de novos aumentos. A maioria dos participantes considerou que o emprego havia apresentado alguma melhora e que a criação de vagas estava crescendo um pouco mais rapidamente que a força de trabalho. A percepção predominante era de que o mercado estava próximo do máximo emprego.

Meta de 2% só em 2029

As projeções da equipe técnica do Fed indicam que a inflação pode demorar ainda mais para retornar à meta. As estimativas para 2026, 2027 e 2028 foram revisadas para cima em relação às projeções elaboradas em julho. Ao mesmo tempo, as perspectivas para o crescimento econômico e para o mercado de trabalho ficaram mais fortes.

Segundo a equipe técnica do banco central, a inflação só deverá alcançar 2% em 2029, à medida que percam força os efeitos das tarifas, dos acontecimentos geopolíticos e da expansão da infraestrutura de IA. A ata ressalta que essa projeção é da equipe técnica e não representa necessariamente uma avaliação compartilhada por todos os dirigentes do Fed.

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A próxima reunião do Fed será realizada em 27 e 28 de outubro. O encontro deverá concentrar o debate sobre a necessidade de uma nova alta ou sobre a conveniência de aguardar novos dados sobre a inflação e os demais indicadores da economia.

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Fonte: veja.abril.com.br

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