Entre os mortos estavam quatro cidadãos sauditas, duas pessoas de Bangladesh, um americano, um egípcio, um jordaniano, um sírio, um palestino e um sudanês
O ataque ao aeroporto internacional de Riade matou pelo menos 12 pessoas e feriu outras 309, algumas delas gravemente, disseram neste sábado, 10, autoridades da aviação civil da Arábia Saudita. Entre os mortos estavam quatro cidadãos sauditas, além de dois cidadãos de Bangladesh, um cidadão americano, um egípcio, um jordaniano, um sírio, um palestino e um sudanês, acrescentou o comunicado.
As autoridades de saúde haviam ordenado mais cedo uma incomum mobilização em massa de médicos para responder a uma “emergência grave”, enquanto diversas embaixadas estrangeiras recomendaram a seus cidadãos que evitassem o aeroporto. A autoridade de aviação civil havia relatado vários feridos no ataque, que, segundo uma fonte diplomática, foi causado por um míssil lançado pelos hutis do Iêmen.
Todo mundo corria
Os hutis desencadearam uma série de ataques contra a Arábia Saudita, tendo como alvo aeroportos, instalações petrolíferas e petroleiros desde julho, quando a trégua com o governo iemenita apoiado por Riade entrou em colapso. O governo saudita raramente reconhece publicamente que ataques hutis atinjam alvos civis e, nas últimas semanas, tem mantido silêncio quase total sobre esses incidentes. Até o momento, o movimento não assumiu a autoria do ataque deste sábado.
Uma testemunha afirmou ter ouvido uma explosão enquanto aguardava o embarque em um voo, enquanto outra disse ter presenciado um impacto que deixou feridos e provocou cenas de pânico entre os passageiros. “Eu estava no portão 403. Vi como atingiram o 401, vi feridos (…) Todo mundo corria”, relatou à AFP.
A autoridade de aviação civil anunciou que as operações do aeroporto foram suspensas temporariamente enquanto os danos eram avaliados e a segurança das instalações era verificada. Segundo uma fonte hospitalar, cinco pessoas estavam internadas em unidades de terapia intensiva e o total de feridos chegava a “dezenas”. Um familiar de um dos feridos descreveu lesões provocadas pela explosão de vidraças. Três testemunhas afirmaram que o aeroporto estava sendo evacuado. Uma fonte diplomática disse à AFP que um míssil atingiu o aeroporto por volta das 15h locais (9h no horário de Brasília). “Os hutis estão atacando alvos civis”, declarou.
Alertas das embaixadas
O conflito no Iêmen voltou a se intensificar após o fim de uma trégua de quatro anos negociada pela ONU, em meio à escalada da guerra regional no Oriente Médio. A Arábia Saudita lidera uma coalizão internacional que apoia militarmente o governo iemenita e tem se envolvido cada vez mais na guerra civil do país vizinho.
A embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita informou que estava ciente dos ataques contra o aeroporto de Riade e pediu a seus cidadãos que evitassem a área. O presidente americano, Donald Trump, afirmou neste sábado que decidirá “muito em breve” se seu país participará dos ataques da Arábia Saudita contra os hutis.
As embaixadas do Canadá, da Alemanha e da Espanha emitiram alertas semelhantes. A representação diplomática espanhola advertiu no X sobre um “novo ataque (…) dos hutis”. Um alto diplomata ocidental informou à AFP que diversas embaixadas proibiram os deslocamentos de seu pessoal de e para o aeroporto de Riade durante a próxima semana. Nos arredores do aeroporto, era possível ver passageiros com bagagens aguardando na calçada ao lado de uma estação de metrô.
Situação no Iêmen
Enquanto isso, no Iêmen, forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita avançavam contra os hutis em áreas que os combatentes pró-Irã haviam conquistado no mês passado nos arredores do estratégico Estreito de Bab el Mandeb, disseram fontes militares à AFP.
Na semana passada, o governo iemenita anunciou uma contraofensiva destinada a recuperar todos os territórios controlados pelos hutis, depois que o grupo tomou toda a costa oeste do país em uma ofensiva relâmpago.
Os hutis confirmaram que as forças governamentais lançaram ataques na região de Bab el Mandeb, passagem fundamental para o transporte de petróleo e mercadorias pelo Mar Vermelho, mas asseguraram ter repelido a ofensiva.
As afirmações de ambos os lados não puderam ser verificadas de forma independente, em um conflito de rápida evolução e com acesso extremamente restrito para jornalistas.
(Com AFP)
Fonte: veja.abril.com.br