Centenas de unidades de redes como Intermarché e Super U perdem produtos frescos e congelados; Promotoria de Paris abre investigação
Vários supermercados da França foram vítimas, na madrugada desta segunda-feira, 12, de um ataque cibernético contra seus sistemas de refrigeração, o que obrigou o descarte de grandes quantidades de produtos frescos e congelados. O episódio foi considerado “sem precedentes” por integrantes do setor.
Entre os prejudicados estão entre 150 e 200 lojas da rede Intermarché, unidades da Leclerc e quase uma centena de supermercados da Coopérative U. A imprensa francesa apontou ainda que estabelecimentos de outras redes também poderiam ter sido afetados.
Segundo a emissora de notícias BFMTV, os hackers conseguiram ativar remotamente o ciclo de descongelamento das instalações frigoríficas, o que provocou a perda de mercadorias.
‘Sem precedentes’
Em publicação no X, antigo Twitter, nesta manhã, o diretor-geral da Coopérative U, Dominique Schelcher, confirmou que um “ataque cibernético” afetava, desde a noite anterior, os sistemas de refrigeração de vários estabelecimentos da rede.
“Atacar equipamentos essenciais para a conservação de produtos frescos e para o abastecimento alimentar dos franceses é de extrema gravidade e não tem precedentes”, afirmou.
Segundo a imprensa local, as lojas do Carrefour e Monoprix também foram afetadas, embora as redes ainda não o tenham confirmado.
Investigação
A Promotoria de Paris abriu uma investigação para determinar a extensão do “ciberataque de grande escala contra refrigeradores conectados de vários supermercados em todo o território francês”, que também causou alguns princípios de incêndio.
A apuração, a cargo do Escritório Anticibercriminalidade (Ofac), “deverá identificar as vítimas e avaliar os danos causados, tanto pela perda de alimentos quanto pelos incêndios relatados”, informou o órgão.
Segundo a BFMTV, o ataque teve como alvo sistemas de controle de refrigeração fabricados pela empresa dinamarquesa Danfoss, utilizados por diversas redes de supermercados na França para monitorar remotamente os frigoríficos ou iniciar ciclos automáticos de descongelamento. Os autores do ataque teriam modificado remotamente os parâmetros de temperatura, provocando a perda de estoques de produtos frescos e congelados.
Procurada pelo jornal Le Parisien, a fabricante se referiu a “eletrodomésticos mais antigos que chegaram ao fim de sua vida útil e não recebem mais atualizações de software ou segurança”. “A Danfoss sempre aconselhou seus clientes a manterem seus refrigeradores atualizados e a migrarem as gerações mais antigas para as soluções de software mais recentes”, afirmou a empresa em comunicado.
Fonte: veja.abril.com.br