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Australiana compra projeto de terras raras próximo de mina da Serra Verde

Alvo Minerals formaliza acordo para adquirir projeto em Goiás e identifica concentrações de disprósio e térbio, duas das terras raras mais valiosas do mercado

A australiana Alvo Minerals anunciou a assinatura de um contrato definitivo para adquirir, em etapas, até 100% da brasileira Mata Azul S.A., responsável pelo projeto de terras raras Bluebush, em Goiás, localizado a cerca de 40 quilômetros da mina Serra Verde, recentemente adquirida pela americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões.

A companhia, no entanto, já desenvolve trabalhos de exploração em Bluebush desde 2023, quando firmou um memorando de entendimento com a Mata Azul. O novo contrato, divulgado na quinta-feira (8), formaliza as condições negociadas anteriormente e consolida a presença da australiana na região, onde reúne uma área de 9.859 hectares.

O projeto está localizado na porção norte do granito Serra Dourada, a mesma formação geológica que abriga a operação da Serra Verde, uma das principais produtoras de terras raras pesadas fora da Ásia.

A operação será realizada por meio da subsidiária brasileira Lanta Resources Ltda. e prevê a aquisição gradual de participações na Mata Azul, condicionada ao avanço dos estudos técnicos do projeto.

Na primeira etapa, a Alvo poderá assumir 51% da companhia mediante a apresentação de uma estimativa inaugural de recursos minerais e o pagamento de US$ 800 mil, em até 18 meses. A participação poderá chegar a 80% após a conclusão de estudos adicionais e pagamentos que totalizam US$ 2,6 milhões nas três primeiras etapas.

A australiana também terá a opção de adquirir os 20% restantes, por um valor calculado com base na avaliação econômica do projeto e limitado a US$ 20 milhões.

Além da aquisição, a Alvo divulgou resultados laboratoriais de sondagens que identificaram intervalos mineralizados com concentrações de disprósio e térbio, dois dos elementos de terras raras mais valorizados do mercado e utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.

Entre os resultados apresentados, um dos furos registrou cinco metros com concentração de 1.390 partes por milhão (ppm) de óxidos totais de terras raras, incluindo um intervalo de dois metros com 2.040 ppm.

Segundo a empresa, o disprósio e o térbio representam, em média, 14,2% dos óxidos de terras raras magnéticas presentes nos intervalos significativos analisados.

Os dois elementos ganharam importância estratégica após a China ampliar, em abril de 2025, os controles sobre suas exportações.

Proximidade com a Serra Verde

A localização de Bluebush na mesma formação geológica da Serra Verde é um dos principais argumentos apresentados pela Alvo para destacar o potencial do empreendimento.

A companhia associa o interesse renovado pelo projeto à valorização das terras raras pesadas e à aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth, anunciada em abril e concluída em setembro deste ano.

No setor mineral, especialmente entre empresas de capital aberto ainda em fase de exploração, é comum utilizar minas em operação e transações recentes como referências para demonstrar o potencial de novos ativos. A estratégia ajuda a apresentar oportunidades aos investidores e pode facilitar futuras captações de recursos para financiar pesquisas e o desenvolvimento dos projetos.

A proximidade geológica, entretanto, não significa necessariamente que os empreendimentos apresentem recursos minerais, custos de produção ou viabilidade econômica semelhantes.

Em comunicado, o diretor-executivo da Alvo Minerals, Rob Smakman, destacou que Bluebush apresenta mineralização próxima à superfície e características geológicas semelhantes às observadas na região da Serra Verde.

A importância das terras raras pesadas em Bluebush não pode ser subestimada, afirmou o executivo, ressaltando que a presença de disprósio e térbio coloca o empreendimento entre os sistemas mineralizados enriquecidos nesses elementos no granito Serra Dourada.

Próximos passos

A Alvo informou que já realizou 448 furos de sondagem em Bluebush, totalizando 3.708 metros perfurados. A próxima etapa será intensificar as pesquisas nas áreas de Boa Vista, São Bento e Praia para calcular, pela primeira vez, a quantidade estimada de terras raras existente no projeto e suas concentrações.

Apesar dos avanços, Bluebush ainda está em fase de exploração e não possui uma estimativa oficial de recursos minerais nem estudos que comprovem sua viabilidade econômica. Isso significa que a companhia ainda precisa determinar o tamanho do depósito, quanto poderá ser efetivamente recuperado e se a extração será economicamente viável.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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