Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Com R$ 239 milhões em dívidas, JAC Motors entra em nova recuperação judicial

Grupo SHC, representante da marca chinesa no país, volta à Justiça apenas 17 meses após encerrar processo anterior

O Grupo SHC, representante da JAC Motors no Brasil, entrou novamente em recuperação judicial para renegociar R$ 239,5 milhões em dívidas.

O pedido envolve 44 empresas ligadas ao empresário Sergio Habib e ocorre apenas um ano e cinco meses depois do encerramento da primeira recuperação judicial do grupo.

A nova crise acontece em um momento de forte perda de espaço da JAC no mercado brasileiro. Em 2025, a marca emplacou 988 automóveis e comerciais leves, 51,1% menos que as 2.022 unidades de 2024.

No mesmo período, o mercado brasileiro cresceu 2,6%, para 2,55 milhões de veículos.

O contraste se acentuou em 2026. Enquanto as vendas de veículos novos no país cresceram cerca de 15% no acumulado até setembro, a JAC continuou com participação muito pequena no mercado.

Continua após a publicidade

A empresa também mudou sua estratégia. Depois de apostar fortemente nos carros elétricos de passeio, passou a concentrar esforços em picapes, veículos comerciais e vendas por canais digitais. A marca reduziu sua estrutura física e tenta diminuir os custos de operação.

A mudança ocorre em um mercado em que outras montadoras chinesas ganharam escala rapidamente.

BYD e GWM ampliaram a oferta de modelos e conquistaram espaço no Brasil, principalmente no segmento de veículos eletrificados.

Continua após a publicidade

A BYD, que começou a ganhar escala no país a partir de 2023, já acumulava mais de 120 mil veículos vendidos em 2026 até julho.

Segunda recuperação em pouco mais de um ano

A primeira recuperação judicial do Grupo SHC começou em novembro de 2018. Na ocasião, a empresa declarou dívidas de R$ 517,7 milhões e atribuiu a crise à retração do mercado automotivo, às regras do programa Inovar-Auto e ao fim da parceria de 28 anos com a Citroën.

O plano foi aprovado pelos credores e homologado pela Justiça em setembro de 2019. O processo terminou em maio de 2025.

Continua após a publicidade

Pouco depois, o grupo voltou a enfrentar dificuldades financeiras. Antes do novo pedido, a empresa negociava uma reestruturação com credores e tentava manter parte das dívidas fora da recuperação judicial. Segundo fontes a par das negociações, um dos bancos envolvidos teria mais de R$ 100 milhões a receber.

Também havia dificuldades para localizar e retomar veículos oferecidos como garantia de empréstimos, segundo informações publicadas pela Exame.

Da expansão à retração

A trajetória de Habib no setor automotivo começou com a importação e a distribuição de veículos. O empresário ganhou projeção ao expandir a Citroën no Brasil e, posteriormente, passou a representar outras marcas.

Continua após a publicidade

A chegada da JAC ao país foi marcada por uma estratégia agressiva. Em 2011, o grupo inaugurou 50 concessionárias da marca em um único dia. O projeto previa ainda uma fábrica na Bahia, estimada em R$ 1 bilhão, que nunca saiu do papel.

A aposta seguinte foi nos veículos elétricos. A estratégia, porém, não produziu a escala esperada.

A JAC chegou a figurar entre as primeiras marcas a explorar o segmento de elétricos no Brasil, mas perdeu espaço à medida que novos concorrentes chineses entraram no mercado com maior variedade de modelos, preços competitivos e estruturas de distribuição mais amplas.

Continua após a publicidade

Em 2025, a JAC respondeu por apenas 0,7% das vendas de veículos elétricos no país, enquanto a BYD concentrou mais de 70% desse mercado.

Mercado cresce, mas JAC encolhe

O pedido de recuperação judicial ocorre, portanto, em um cenário diferente daquele enfrentado pelo grupo em 2018.

O mercado brasileiro de veículos não está em retração. Pelo contrário. Setembro de 2026 teve recorde de vendas para o mês, e o segmento de automóveis e comerciais leves acumulava crescimento de mais de 16% na comparação anual.

O problema da JAC é sua capacidade de acompanhar essa expansão.

A marca tenta agora reduzir a dependência dos carros elétricos de passeio e concentrar sua atuação em produtos como a picape Hunter, além de veículos comerciais e atendimento a frotistas. A estratégia também inclui uma estrutura mais enxuta de lojas e maior utilização dos canais digitais.

O Grupo SHC não respondeu aos pedidos de manifestação sobre o novo processo de recuperação judicial.

Para a empresa, o desafio é reorganizar uma dívida de R$ 239,5 milhões enquanto tenta reconstruir uma operação que perdeu escala em um mercado que, ao mesmo tempo, se tornou maior e mais competitivo.

Publicidade

Fonte: veja.abril.com.br

Compartilhar