Presidente argentino discursou na presença do primeiro-ministro espanhol, com quem mantém uma relação marcada por ataques públicos
O presidente da Argentina, Javier Milei, comparou o socialismo ao fascismo nesta quinta-feira, 5, durante a Cúpula Ibero-Americana, em Madri, diante do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Os dois mantêm uma relação marcada por ataques públicos do argentino ao líder socialista, que Milei chamou de ditador inadmissível e corrupto há duas semanas.
“Essa equivalência entre socialistas e fascistas não é casual, eles compartilham o ódio pelo livre mercado, adoram a intervenção do Estado, estatizam empresas, regulam a economia, controlam os meios de comunicação e se dedicam a espalhar propaganda e doutrinação”, disse o presidente argentino.
“O socialismo é fascista na política, e o fascismo é socialista na economia”, insistiu Milei na Galeria das Coleções Reais, museu ao lado do Palácio Real, ao criticar as “agendas que se denominam progressistas e ganham espaço na Europa”.
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Questionado sobre as declarações após o encerramento da cúpula, Sánchez evitou aprofundar a disputa. “Entendo que os presidentes estão aqui para unir os países, particularmente quando estamos em espaços multilaterais como este, e o insulto não faz parte da minha maneira de agir nem da minha forma de entender a política”, disse o premiê espanhol.
Antes da sessão plenária, os dois líderes trocaram um frio aperto de mãos. A reunião ocorreu duas semanas depois de Milei pedir, durante uma visita à capital espanhola, que os eleitores tirassem os socialistas do poder a pontapés. Sánchez respondeu criticando os cortes de gastos promovidos pelo governo argentino.
Na noite desta quarta-feira, Milei se reuniu em Madri com seu aliado Santiago Abascal, líder do partido espanhol de extrema direita Vox. O encontro ocorreu a poucas semanas das eleições gerais espanholas, marcadas para 29 de novembro. Pesquisas indicam que o conservador Partido Popular pode vencer a disputa, mas precisaria de apoio para formar governo. Uma aliança com o Vox permitiria à direita alcançar a maioria no Parlamento.
30ª Cúpula Ibero-Americana
A 30ª Cúpula Ibero-Americana reuniu representantes dos 22 países do bloco, mas contou com apenas sete presidentes latino-americanos. Entre os ausentes estavam o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a mexicana Claudia Sheinbaum.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também esteve em Madri e se reuniu com Sánchez e outros líderes à margem da cúpula. Ele pediu ajuda à Espanha e aos países latino-americanos para “continuar reconstruindo e reparando” o sistema energético de seu país, danificado pelos ataques russos.
Ao fim do encontro, os países aprovaram a Declaração de Madri, que prevê a criação de uma aliança para desenvolver sistemas de inteligência artificial alimentados com dados em espanhol, português e línguas originárias. A próxima cúpula será realizada em Honduras, em 2028.
Fonte: veja.abril.com.br