Monitoramento por satélite aponta umidade abaixo da média em Mato Grosso e excesso de chuvas no Sul
Os potenciais efeitos do El Niño sobre o agronegócio brasileiro começam a ganhar contornos mais claros. Um monitoramento por satélite realizado pela EarthDaily identifica dois movimentos climáticos preocupantes para as lavouras: a persistência de umidade do solo abaixo da média histórica em parte de Mato Grosso, principal produtor de soja do país, e o excesso de chuvas na Região Sul, que ameaça a qualidade do trigo em fase de colheita.
Segundo a empresa especializada em monitoramento agrícola, o volume de chuvas acumulado desde setembro no Sul atingiu o maior patamar em onze anos, superando inclusive registros de 2015 e 2023, anos marcados pela influência do El Niño. A persistência das precipitações, principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, pode dificultar a entrada de máquinas nas lavouras e comprometer a qualidade dos grãos.
Em Mato Grosso, a situação é inversa. Apesar das chuvas recentes, a recuperação da umidade do solo ocorre de maneira desigual. Modelos meteorológicos internacionais indicam possibilidade de precipitações abaixo da média nos próximos dias, o que pode restringir o avanço do plantio da soja. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, por outro lado, a disponibilidade de água apresenta condições mais favoráveis.
Os sinais surgem em um momento de fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico. Em seu boletim de 8 de outubro, a agência meteorológica americana NOAA apontou probabilidade superior a 83% de que o fenômeno permaneça forte ou muito forte no trimestre de janeiro a março de 2027.
O cenário impõe uma variável de incerteza às projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estima produção recorde de 367,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, incluindo 181,6 milhões de toneladas de soja.
Embora os padrões de chuva e de umidade observados sejam compatíveis com riscos associados ao El Niño, ainda não é possível atribuir exclusivamente ao fenômeno os episódios regionais nem quantificar eventuais perdas nas lavouras. A continuidade das condições climáticas nas próximas semanas será determinante para avaliar o impacto efetivo sobre a produção brasileira.
Fonte: veja.abril.com.br