GBU-43/B, maior artefato não nuclear, pode ser empregado contra a infraestrutura energética e nuclear iraniana se Trump decidir retomar combates
Os Estados Unidos elaboraram planos para atacar a infraestrutura energética e as instalações nucleares do Irã com a chamada “mãe de todas as bombas”, que é o maior artefato não nuclear de seu arsenal, segundo autoridades do governo Donald Trump ouvidas pela emissora americana CNN. Ela seria empregada caso o presidente ordene a retomada das operações de combate, o que ele havia afirmado que não faria antes das midterms, as eleições de meio de mandato, em novembro.
A GBU-43/B — conhecida como MOAB, sigla em inglês para “bomba de potência massiva lançada do ar”, em tradução livre — contém cerca de 8.500 kg de explosivos de alta potência. Ela pesa 9.800 kg no total, aproximadamente o peso de quatro carros, e mede cerca de 9 metros de comprimento (o tamanho de um iate pequeno).
Devido ao seu tamanho, não cabe em um avião bombardeiro furtivo comum. Por isso, costuma ser lançada a partir de uma aeronave de carga Lockheed C-130 Hercules.
Usos anteriores
A bomba, fabricada pela primeira vez entre 2002 e 2003, passou por 12 testes. Seu nome é uma referência aos comentários feitos pelo ex-presidente iraquiano Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991, quando ele mencionou a “mãe de todas as batalhas”.
Os Estados Unidos utilizaram a GBU-43/B apenas uma vez, durante ataques realizados em 2017 contra um complexo de cavernas e túneis do Estado Islâmico na Província de Khorasan (ISKP), no Afeganistão.
Na época, autoridades afegãs afirmaram que, embora 94 combatentes do Estado Islâmico tenham morrido na explosão, nenhum civil foi ferido. No entanto, houve relatos locais, não confirmados, de vítimas civis, e muitas residências foram destruídas.
Não é nada nuclear; trata-se apenas de uma bomba extremamente grande. É como uma bomba nuclear em miniatura. Mas a mãe de todas as bombas é uma bomba enorme só que não é nuclear, afirmou Trump em uma entrevista na quinta-feira 15 à emissora americana Newsmax. Eu não usaria armas nucleares; não precisamos disso, acrescentou.
Danos massivos
Projetada para detonar a poucos metros do solo, a “mãe de todas as bombas” libera ondas letais de fogo no momento da explosão, com capacidade para destruir edifícios, entradas de cavernas e outras estruturas de superfície sólida. Ela não precisa sofrer impacto para ser acionada.
Segundo a Força Aérea americana, a explosão é tão potente que a nuvem em formato de cogumelo resultante pôde ser vista a uma distância de mais de 30 km durante testes.
Em entrevista à emissora Al Jazeera, o coronel Nidal Abu Zeid, especialista militar, afirmou que a MOAB destrói tudo o que estiver acima do solo em um raio de 1 km. Segundo ele, os Estados Unidos podem empregá-la para obliterar completamente as posições das forças terrestres iranianas na superfície, bem como para atingir suas instalações subterrâneas incluindo o complexo nuclear em Pickaxe Mountain, que Trump já ameaçou atacar anteriormente.
No entanto, outros especialistas ressaltam que o artefato pode não ser particularmente eficaz contra alvos situados em grandes profundidades, pois não foi projetado especificamente para perfurar camadas espessas de concreto ou rocha diferentemente das bombas conhecidas como “destruidoras de bunkers”. O explosivo mais potente desse tipo no arsenal americano é a GBU-57, de 13.600 kg (incluindo uma ogiva de 2.700 kg), que pode penetrar até 61 metros abaixo da superfície antes de detonar.
Pressão sobre Trump
O uso da GBU-43/B no conflito com o Irã representaria uma escalada significativa. Contudo, devido às suas limitações, é incerto se será significativa para os Estados Unidos alcançarem os objetivos estratégicos declarados por Trump ou para alterar o rumo da guerra.
O presidente americano enfrenta pressões para encerrar um conflito altamente impopular, que provocou o aumento do preço dos combustíveis e a inflação. O Partido Republicano, em particular, teme possíveis repercussões políticas junto aos eleitores nas eleições de meio de mandato.
Ao longo das últimas semanas, assessores da Casa Branca realizaram reuniões para discutir diversas opções em relação ao Irã. Embora Trump tenha anunciado publicamente que não tomaria novas medidas antes das midterms, vários deles afirmaram à CNN não saber se essa declaração era definitiva ou se poderia mudar antes do dia da eleição.
O ocupante do Salão Oval ordenou que os militares desenvolvessem planos para ataques adicionais contra alvos iranianos incluindo uma grande parte da infraestrutura energética e que considerassem o possível uso de uma bomba MOAB, segundo a CNN. A reportagem acrescentou que esse ataque ocorreria “antes da retirada das forças americanas da área de responsabilidade do Centcom”, o comando americano responsável pelo Oriente Médio. Ou seja, o governo poderia realizar esses ataques extras, declarar vitória e, na sequência, retirar rapidamente todo o contingente militar destacado ali.
Fonte: veja.abril.com.br