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Mais de 550 mil franceses vão às ruas em todo país durante protestos contra custo de vida

Os protestos contra o alto custo de vida reuniram cerca de 550 mil pessoas em toda a França nesse sábado (17), segundo o ministro do interior Laurent Nuñes. Apenas em Paris eles foram 110 mil manifestantes. De acordo com o governo, a mobilização ocorreu em 110 atos pelo país e terminou com cerca de 400 detenções, a maioria de adultos. Segundo a CGT, o maior sindicato da França, a participação teria chegado, no entanto, a 800 mil manifestantes em toda a França. A situação continua


Os protestos contra o alto custo de vida reuniram cerca de 550 mil pessoas em toda a França nesse sábado (17), segundo o ministro do interior Laurent Nuñes. Apenas em Paris eles foram 110 mil manifestantes. De acordo com o governo, a mobilização ocorreu em 110 atos pelo país e terminou com cerca de 400 detenções, a maioria de adultos. Segundo a CGT, o maior sindicato da França, a participação teria chegado, no entanto, a 800 mil manifestantes em toda a França. A situação continua extremamente tensa na capital francesa. O presidente Emmanuel Macron endureceu o discurso, afirmou que os responsáveis por atos de vandalismo, saques e ataques a prédios públicos serão processados e punidos. Em uma mensagem nas redes sociais, Macron declarou que não há lugar para a violência na República e acusou os responsáveis pelos distúrbios de tentar enfraquecer as instituições democráticas do país. O presidente francês também afirmou que a nação deve permanecer unida diante daqueles que promovem o caos, reiterou o apoio às forças de segurança. Na mesma linha, o primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu afirmou que os policiais enfrentaram uma violência de intensidade extrema, sem citar nomes. Ele também fez referência ao debate político em torno da eleição presidencial de 2027 e afirmou que o governo não vai permitir que a violência seja utilizada como instrumento de pressão política. Nas ruas da capital, o cenário essa noite é de destruição em diversos pontos, a Praça da República, um dos locais mais simbólicos das manifestações parisienses, se transformou no principal foco dos confrontos. Desde o início da tarde, uma espécie mistura de gás lacrimogêneo e fumaça de veículos incendiados tomou conta da região. Manifestantes lançaram pedras arrancadas de estruturas urbanas e dispararam fogos de artifício contra os policiais, em resposta, a polícia utilizou canhões de água e grandes quantidades de gás lacrimogêneos. Ao longo da tarde, várias lojas foram invadidas e saqueadas, vitrines foram destruídas e mercadorias retiradas. Em uma rua no centro, no coração de Paris, bicicletas elétricas foram empilhadas e incendiadas, o fogo provocou explosões sucessivas das baterias, enquanto novas colunas de fumaça continuavam a subir em diferentes áreas da cidade. Também houve registros de saques na região da avenida Champs-Élysées, quando a noite já começava a cair, sinal que as autoridades ainda enfrentam dificuldades para restabelecer completamente a ordem. O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, fez uma das avaliações mais contundentes da jornada. O dirigente afirmou estar indignado com a destruição de estabelecimentos comerciais e com danos registrados em monumentos e equipamentos públicos da capital. Mas as reivindicações vão muito além do poder de compra e do custo de vida. Cartazes relacionavam hoje o dia inteiro questões como a aposentadoria, educação e o clima como parte de uma mesma luta social. Entre os manifestantes, muitos afirmavam ter saído às ruas para apoiar os estudantes, que vêm liderando parte dessa mobilização há algumas semanas, para, segundo eles, demonstrar que o movimento não era composto apenas por vândalos. Também houve críticas às forças de segurança. Uma militante declarou condenar os atos de vandalismo, mas afirmou considerar que a violência policial tem sido mais significativa que a dos manifestantes. Outros participantes reclamaram da dificuldade de realizar manifestações sem confronto com a polícia e disseram não acreditar mais nas promessas dos partidos tradicionais. As cenas também reacenderam um debate que acompanha a França há anos, a atuação das forças de segurança nas manifestações. Desde os coletes amarelos passando pelas mobilizações contra a reforma da Previdência e pelos distúrbios que tomaram o país após a morte do adolescente Nael Merzuk, morto por um policial durante uma abordagem de trânsito em 2023, organizações de direitos humanos, sindicatos, advogados, observadores, independência e diversos setores da classe política francesa denunciam episódios recorrentes do uso excessivo de força e questionam os métodos empregados pela polícia francesa. À medida que a noite avança em Paris, as equipes de limpeza e autoridades começam a contabilizar os prejuízos materiais de uma das jornadas mais violentas associadas a esses recentes protestos à França. Politicamente, o governo tenta recuperar o controle e a narrativa da situação, mas cresce a pressão para que ele responda tanto às reivindicações econômicas dos manifestantes quanto às críticas sobre a forma como os protestos vêm sendo policiados.

Fonte: cbn.globo.com

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