Parcerias com Bitso, Bity e Coinext aceleram consolidação do setor; empresa afirma que 98% do patrimônio incorporado permanece sob sua custódia
O Mercado Bitcoin está ampliando sua base de investidores em meio à reorganização do mercado brasileiro de criptomoedas. A companhia revelou ao Radar Econômico, de VEJA, que os acordos firmados com Bitso, Bity e Coinext trouxeram centenas de milhares de investidores para sua plataforma. A movimentação ocorre enquanto as empresas do setor se adaptam às novas exigências regulatórias do Banco Central.
Além da ampliação da base, os acordos contribuíram para aumentar o volume de ativos digitais sob custódia da companhia. Segundo o Mercado Bitcoin, cerca de 98% do patrimônio incorporado por meio dessas parcerias permanece na plataforma. O Bitcoin representa 81% dos ativos integrados, seguido por Ethereum, com 7%, e Solana, com 4%. A empresa não revela os valores absolutos movimentados nem quantos clientes foram incorporados por cada acordo.
A consolidação pode ganhar novos capítulos. O Mercado Bitcoin afirma que continua avaliando oportunidades de parcerias, fusões e aquisições, especialmente em empresas que ofereçam soluções de pagamentos com stablecoins e operações internacionais. A companhia vê na regulamentação um fator capaz de acelerar a concentração do setor, diante dos custos crescentes para atender às exigências de governança, segurança e conformidade.
O esforço regulatório já mobiliza uma parcela significativa da estrutura da empresa. Desde o início do ano, cerca de 80 profissionais de uma equipe de aproximadamente 370 funcionários estão dedicados à adaptação às regras do Banco Central. O trabalho inclui mudanças nos procedimentos de custódia, controles internos, gestão de riscos e contratação da KPMG para serviços de asseguração relacionados à prevenção à lavagem de dinheiro.
Embora não tenha precisado realizar um aporte adicional de capital para atender às exigências, o Mercado Bitcoin reconhece que a regulamentação elevará os custos operacionais recorrentes. Entre as novas obrigações estão a segregação de recursos dos clientes e o aprimoramento dos mecanismos de identificação e rastreamento de transações.
A companhia informa ter ultrapassado 4,8 milhões de clientes, acumulado mais de 215 bilhões de reais em volume transacionado na plataforma e superado 1,4 bilhão de reais em ativos tokenizados. Para 2027, a estratégia é ampliar a presença em pagamentos, stablecoins e tokenização, ao mesmo tempo em que busca aproveitar novas oportunidades de consolidação no mercado brasileiro.
Fonte: veja.abril.com.br