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No começo do século passado, pesquisadores diziam que ler antes de dormir fazia mal para crianças e adolescentes; e hoje em dia?

Estudos associavam risco de miopia a ler na cama com luz inadequada; recomendação chegou a ser de que fosse o hábito fosse "estritamente proibido" para menores de 18 anos

A leitura antes de dormir era um tema que causava preocupação no começo do século 20: acreditava-se que a atitude prejudicaria a visão, virando tema de pesquisas e reportagens sobre o assunto.

Em 1908, o jornal “The Lancet” deu luz a um estudo do Dr. Hugo Feilchenfeld, chefe da clínica oftalmológica do Hospital Judaico de Berlim, alertando para os “perigos” da prática, acreditando-se que a luz posicionada inadequadamente e a posição que se lia deitado no travesseiro com o livro poderia causar miopia.

O artigo do médico enfatizava que o hábito de ler na cama deveria ser “estritamente proibido” para menores de 18 anos, cujos olhos ainda estariam em desenvolvimento e poderiam ter a visão prejudicada pela prática.

A recomendação era fixar acima ou atrás da cabeça algum tipo de luz – vela, lâmpada a gás ou elétrica – com iluminação suficiente para leitura, e que fosse utilizado um travesseiro firme. A publicação ainda citava a esperança de que “talvez um dia as editoras publiquem livros para ler na cama, com tipografia e encadernação adequadas, com capas rígidas páginas pequenas para evitar que dobrem e papel muito leve para não cansar a mão, com margens largas e letra grande.

Mudança de visão

Nas décadas seguintes, a ideia ainda estava disseminada na sociedade – crianças das décadas de 1980 e 1990, por exemplo, ouviam “acende a luz, vai estragar a vista”, ao tentar ler livros ou gibis à noite na cama com uma iluminação que não fosse a principal do quarto.

Os fatores como postura ao ler e iluminação reduzida foram revisados e considerados de “baixo risco para a miopia” em estudos publicados, após uma revisão não ter encontrado “evidências robustas” disso.

Nos últimos anos, as evidências apontam benefícios de ler antes de dormir. O período que antecede o sono pode ser um momento adequado para criar esse hábito porque costuma marcar a transição entre as atividades do dia e o descanso.

Pesquisas recentes

Um experimento realizado na Irlanda em 2019 e publicado em 2021 convocou jovens a lerem ou não um livro na cama antes de dormir durante uma semana e respondesse sobre a qualidade do sono. Ao final, 42% dos que leram relataram benefícios, em comparação com 28% dos que não leram nesse período.

Uma pesquisa de fevereiro de 2023 apontou que 41,3% dos adultos nos Estados Unidos incluem a leitura na rotina antes de dormir por mais de quatro noites por semana, com média de 36 minutos, segundo a organização “The Sleep Doctor”. Hoje atribui-se à leitura redução do estresse, melhora do vocabulário, memória, concentração e até prevenção do declínio cognitivo.

Assunto superado, hoje em dia a preocupação dos pesquisadores é com a quantidade exposição a telas e inteligência artificial entre os jovens, e como ficar com o celular na mão na cama prejudica a qualidade do sono.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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