Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

O que é um boitel? E como pecuaristas podem reduzir os custos de produção

Modelo de confinamento terceirizado permite reduzir investimentos, acelerar a engorda do gado e melhorar a rentabilidade da pecuária de corte

O boitel é um sistema de confinamento terceirizado em que o pecuarista envia seus bovinos para uma estrutura especializada na engorda dos animais até o abate. O nome vem da combinação das palavras boi e hotel. Nesse modelo, o produtor paga para manter o gado no local, onde os animais recebem alimentação balanceada, manejo nutricional e acompanhamento sanitário.

A modalidade permite que o pecuarista faça a terminação do rebanho sem precisar construir um confinamento na própria fazenda, comprar maquinários ou mobilizar capital para manter uma estrutura de engorda. Com isso, pode concentrar os investimentos na cria e na recria e terceirizar a fase final da produção, buscando maior eficiência e rentabilidade.

Segundo Gustavo Paranhos, zootecnista e assessor da Connan, uma das principais vantagens do boitel é a previsibilidade dos custos. Como o produtor consegue estimar antecipadamente quanto gastará durante o período de confinamento, pode comparar esse valor com o preço esperado de venda dos animais e calcular a margem da operação.

O boitel é como se fosse um hotel para o boi, que o produtor vai calcular, vai saber o preço que vai custar desse animal durante o período que ele vai ficar nesse boitel, afirma Paranhos.

Como o boitel pode aumentar o lucro do pecuarista?

A rentabilidade depende da relação entre os custos de engorda, o ganho de peso dos animais e o preço recebido na venda. De acordo com Paranhos, o cenário de valorização da arroba e custos de produção relativamente baixos vem favorecendo as margens do confinamento.

Outro fator importante é a eficiência alimentar já que nos boiteis, os bovinos recebem dietas balanceadas para acelerar o desenvolvimento e atingir o peso de abate em menos tempo. Segundo o especialista, o ganho diário pode variar de 1 kg a 1,8 kg, conforme as condições da operação.

O desempenho permite encurtar o período de terminação em comparação com a permanência dos animais no pasto em condições desfavoráveis, especialmente durante a seca, quando a qualidade da forragem pode diminuir. Além de ganhar peso mais rapidamente, o gado pode alcançar melhor acabamento de carcaça, característica valorizada pelos frigoríficos.

Esse animal vai ganhar mais peso em um período curto, vai ter um bom acabamento de carcaça, explica Paranhos. Segundo ele, animais mais jovens e com carcaças que atendam aos requisitos dos frigoríficos também podem participar de programas de bonificação, ampliando a receita da operação.

A escala de compra dos confinamentos é outro diferencial, pois os boiteis adquirem grandes volumes de insumos e negociam contratos com fornecedores, podem conseguir preços mais competitivos para a alimentação dos bovinos do que produtores que compram individualmente em menor quantidade.

Por comprar muitos insumos, fazer contratos com os fornecedores, esses boiteis têm a possibilidade de preços melhores quando comparado a um produtor médio e pequeno, afirma o zootecnista.

Além disso, segundo Paranhos, muitos confinamentos terceirizados mantêm contratos com frigoríficos, o que ajuda o pecuarista a estimar as condições de comercialização antes mesmo de enviar os animais.

Boitel libera pastagens e melhora a eficiência da fazenda

A terceirização da engorda também pode gerar ganhos indiretos ao liberar pastagens para outras categorias do rebanho. Ao encaminhar os bovinos próximos do peso de entrada no confinamento, o produtor reduz a lotação da propriedade e aumenta a disponibilidade de forragem para os animais que permanecem na fazenda.

A estratégia pode ser especialmente útil durante períodos de estiagem, quando o pasto perde qualidade e os bovinos em fase de crescimento ficam mais sujeitos à perda de peso. Com mais alimento disponível, os animais podem manter o desenvolvimento, enquanto as vacas têm melhores condições para preservar o escore corporal antes da estação de monta.

Paranhos destaca que o modelo pode ser utilizado por pecuaristas de diferentes tamanhos. Para os pequenos produtores, o boitel permite terceirizar a terminação sem investir em instalações, misturadores e maquinários.

Para os médios, pode funcionar como uma estratégia de controle da lotação. Já os grandes pecuaristas podem recorrer ao serviço para evitar a construção de novas estruturas ou a contratação de equipes próprias para o confinamento.

É uma alternativa para o produtor grande. O boitel é muito dinâmico, pode ser usado por qualquer produtor, afirma.

Manejo sanitário é outro diferencial

Os confinamentos terceirizados também contam com protocolos nutricionais e sanitários e equipes responsáveis pelo acompanhamento dos animais durante a permanência nas baias. Na chegada, os bovinos passam pelos procedimentos previstos pela operação e são monitorados para identificar possíveis problemas de saúde ou alterações de comportamento.

De acordo com Paranhos, essa estrutura oferece suporte técnico ao pecuarista e pode ajudar a evitar perdas de desempenho e reduzir riscos sanitários. O acompanhamento, porém, não elimina os riscos inerentes à atividade, e os resultados continuam dependendo das condições de manejo e da qualidade dos animais enviados.

Como calcular se o boitel vale a pena?

Para saber se a terceirização será lucrativa, o pecuarista precisa estimar a receita da venda e descontar os custos envolvidos na operação, incluindo o valor do animal, as despesas de permanência no confinamento e os demais gastos relacionados à produção e à comercialização.

O ganho de peso, sozinho, não garante lucro. A margem depende também do custo de cada arroba produzida e do preço efetivamente recebido pelo boi gordo. Uma eventual bonificação por qualidade de carcaça pode melhorar o resultado, desde que o animal cumpra os requisitos exigidos pelo frigorífico.

Por isso, Paranhos recomenda que o produtor conheça bem as condições do boitel, negocie os valores e selecione bovinos com bom potencial genético e peso adequado para a terminação. O objetivo é produzir arrobas adicionais com o menor custo possível.

CNA prevê queda de 4,5% na produção de carne bovina em 2026

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Compartilhar