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O que está em jogo na segunda recuperação judicial da OSX, de Eike Batista

Quase impedido por um único voto contrário, plano da empresa para pagar credores foi homologado recentemente pela Justiça do Rio

De acordo com advogados especializados em direito empresarial e reestruturação de dívidas, a conclusão recente das negociações do plano de recuperação judicial por que passa a OSX, empresa de construção naval controlada pelo empresário Eike Batista, não significa o fim da nova tentativa da companhia de se colocar de pé financeiramente. O ponto central agora é transformar a previsão do plano de recuperação judicial em resultado concreto”, diz Letícia Rocha Carneiro, advogada tributarista do escritório DAP Advocacia.

Iniciada em 2024, este é o segundo processo de recuperação judicial por que passa a OSX, que também abriu um processo de renegociação em 2013, quando o então império de negócios de Eike Batista, reunidos sobre o já extinto Grupo EBX, começou a ruir.

Depois de um processo conturbado e que quase acabou emperrado por conta do voto contrário de um único credor, o novo plano de recuperação judicial estruturado pela OSX foi homologado na semana passada, em 1 de outubro, pela Justiça do Rio de Janeiro, o que abre o caminho para que ela comece a pagar os seus credores de acordo com o que ficou acordado no documento. A dívida total é estimada em 8 bilhões de reais.

Para que a homologação saísse, foi necessário que o juiz recorresse ao chamado cram down, mecanismo previsto na Lei de Recuperação Judicial que permite ao Judiciário homologar um plano mesmo quando ele não obtém a aprovação integral em todas as classes de credores.

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Isto porque, a despeito de ter conseguido a aprovação majoritária dos bancos e empresas a que deve, o plano de recuperação apresentado pela OSX teve o voto contrário de um único credor representante da classe dos trabalhadores – um escritório de advocacia que detinha um pequeno pedaço em débitos trabalhistas da empresa e que rejeitou a proposta, e que foi o suficiente para considerar com um bloqueio da classe trabalhista como um todo.

O plano foi votado em assembleia geral com os credores em 24 de agosto e os votos a favor colhidos durante a sessão representavam 95% de toda a dívida em negociação. Com o “cram down”, a Justiça reconheceu que o plano de pagamento poderia ter continuidade mesmo com a aprovação que ficou pendente.

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Não significa que o Judiciário simplesmente substituiu a vontade dos credores”, explicou Bruno Medeiros Durão, especialista em recuperação de tributos da DAP Advocacia. “No caso da OSX, a discussão passou justamente pelo equilíbrio entre a manifestação individual de um credor e a preservação de uma solução coletiva para o conjunto de credores.

Nova empresa e leilão

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Um dos pontos mais relevantes do plano de recuperação homologado é a criação e a venda de uma nova empresa, NewCo, que vai reuniu ativos relativos ao Porto do Açu, uma das principais fontes de receita que sobraram à companhia fundado em 2009 por Eike.

O valor mínimo estabelecido para a venda do negócio em leilão foi de 1,2 bilhão de reais, que deverão ser destinados ao pagamento dos credores. O comprador que levar o negócio deverá, ainda, fazer um empréstimo de 76 milhões de reais para a OSX, valor que também deverá ser destinado pela empresa ao pagamento das obrigações definidas no plano de recuperação.

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Fonte: veja.abril.com.br

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