Ex-prefeito carioca contesta decisão do TSE que excluiu votos de Garotinho do percentual de válidos, abrindo caminho para vitória de Douglas Ruas
O ex-prefeito carioca Eduardo Paes usou as redes sociais nesta terça-feira, 3, para aderir oficialmente à campanha a favor do segundo turno no Rio, impulsionada por seus aliados e apoiadores. Uma ação sobre a eleição fluminense, movida pelo partido dele, o PSD, aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). “É preciso respeitar a vontade das urnas expressa no dia 4 de outubro. E o Rio escolheu ter segundo turno. O povo do Rio de Janeiro tem o direito de votar”, defende Paes no vídeo publicado no Instagram.
O entorno do ex-prefeito criou o “Exército do Dudu”, canal no WhatsApp inspirado no “Exército do Lula”, para tentar surfar na onda de mobilização que permitiu a virada na eleição nacional. A avaliação é a de que o clima no STF está mais favorável com a reeleição do presidente e que o apoio das ruas será fundamental para tentar conseguir uma vitória junto ao tribunal. Paes e seus aliados ainda têm esperança de conseguir uma eleição suplementar no dia 6 de dezembro. “Eu obviamente vou respeitar a decisão do STF, seja ela qual for, mas acredito que o bom Direito está do nosso lado”, disse nas redes.
Ao se pronunciar nesta terça, Eduardo Paes justificou que preferiu aguardar o desfecho da disputa ao Palácio do Planalto antes de aprofundar o debate sobre a eleição no estado. “Muita gente me perguntou por que eu fiquei em silêncio sobre a eleição aqui no Rio desde a decisão do Tribunal Superior Eleitoral. A resposta é muito simples: eu entendi que disputa jurídica no Rio não poderia atrapalhar a eleição presidencial. O país precisava votar com tranquilidade e foi isso que aconteceu. Agora chegou a hora da gente falar sobre isso”, explicou.
O argumento para pedir o segundo turno é o de que os 274.411 votos de Anthony Garotinho (Republicanos), terceiro colocado, não poderiam ter sido equiparados aos nulos, o que permitiu a vitória de Douglas Ruas (PL), que passou de 49,27% dos válidos para 50,88%. “Esses votos existiram. Por causa deles ninguém alcançou a maioria absoluta”, protestou Paes. “Eu não culpo a Justiça Eleitoral, porque infelizmente a lei ainda permite esse tipo de manobra, mas apesar de todos os nossos alertas o nome dele [Garotinho] estava lá, na urna”. No dia 10 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio fez a retotalização dos votos e declarou o candidato do PL como governador eleito.
Nesta terça, Douglas Ruas anunciou os primeiros nomes do secretariado e criticou a campanha adversária: É uma afronta à Justiça Eleitoral, repreendeu. Essa questão está superada. As eleições estão encerradas em todo o território nacional.
O relator da ação no STF é o ministro Cristiano Zanin, que pediu manifestações do Tribunal Superior Eleitoral, da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República antes de tomar uma decisão.
Fonte: veja.abril.com.br