Andy Burnham renova acusações após levantar ideia de uma possível reintegração do Reino Unido à União Europeia
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, declarou nesta segunda-feira, 12, que houve uma “clara” interferência da Rússia no referendo do Brexit, em 2016, reacendendo as acusações sobre a ingerência russa durante a votação. Seus comentários vieram dias depois dele tornar-se o primeiro mandatário do país a levantar a possibilidade de uma eventual reintegração do Reino Unido à União Europeia.
“Ao chegar a Downing Street, fiz a seguinte pergunta: houve interferência da Rússia no referendo de 2016? E recebi uma resposta clara: sim, houve”, declarou Burnham no podcast The Rest Is Politics, divulgado nesta segunda.
O líder trabalhista, que assumiu o cargo em julho, acrescentou que considera “importante estabelecer claramente esses fatos” com o objetivo de “ajudar os eleitores da Alemanha e da França a compreender que parte dessa dinâmica política está sendo alimentada por nossos inimigos, ou seja, a Rússia”.
Em setembro, Burnham anunciou que o Reino Unido criaria uma organização encarregada de combater a desinformação proveniente de “atores hostis”, como o país de Vladimir Putin. Além disso, afirmou no mesmo podcast que o chanceler alemão, Friedrich Merz, lhe disse que a Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita anti-imigração e pró-Rússia, era claramente financiada por Moscou.
O secretário de Estado das Relações Exteriores britânico, Stephen Doughty, por sua vez, afirmou que as tentativas de Moscou de interferir no referendo de 2016 não foram bem-sucedidas.
Reaproximação
Nesta segunda-feira à tarde, o primeiro-ministro do Reino Unido abordará no Parlamento do país a questão do Brexit e a relação entre Londres e Bruxelas. Espera-se que ele inste os deputados a serem pragmáticos e a trabalharem por uma aproximação com a União Europeia.
O político trabalhista declarou que seria “uma falha no cumprimento de (seu) dever virar as costas para a possibilidade de concluir um novo acordo com a União Europeia, capaz de estimular o crescimento econômico e combater a imigração ilegal”, segundo um comunicado de seu gabinete.
Fonte: veja.abril.com.br