Rui Costa, Camilo Santana e Rafael Fonteles se tornaram destaques internos do PT, com boatos sobre a possível sucessão presidencial em 2030
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu mudar as pessoas responsáveis por comandar sua campanha à reeleição no segundo turno. Agora, três petistas do Nordeste vão assumir funções-chave.
Agora, o ex-ministro e senador cearense Camilo Santana será o coordenador político; o ex-ministro e senador eleito pela Bahia Rui Costa assume a agenda; e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, vai comandar a comunicação. Os três estão entre os principais nomes cotados para a sucessão de Lula em 2030.
A decisão de colocá-los nessas posições ocorreu após o presidente ter ficado em segundo lugar no primeiro turno, com 1,8 ponto percentual a menos que o senador Flávio Bolsonaro (PL), que, agora, é favorito na corrida ao Palácio do Planalto.
Até então, a posição de coordenador político da campanha presidencial era de Edinho Silva, presidente nacional do PT. Tradicionalmente, é a pessoa que ocupa o cargo dele que desempenha, sozinha, a função de coordenação geral da campanha presidencial. Agora, a função será dividida com Camilo Santana.
Confira abaixo quem são os três nordestinos e os principais pontos de suas trajetórias.
Rui Costa
Rui Costa (PT-BA) é um dos políticos do PT que saem mais fortalecidos das eleições de 2026. Ele foi eleito senador pela Bahia, com 4. 335. 196 votos — equivalente a 30,07% do total.
Costa foi ministro da Casa Civil, tornando-se um dos principais auxiliares do presidente na articulação e coordenação do governo federal. Deixou o cargo em abril de 2026 para disputar uma vaga no Senado pela Bahia.
Ele também já foi governador da Bahia por dois mandatos, tendo sido eleito em 2014 pela primeira vez ao cargo, com 54,5% dos votos válidos. Quatro anos depois, conquistou a reeleição no primeiro turno. Durante os dois mandatos, consolidou sua trajetória no grupo político liderado por Jaques Wagner — a quem sucedeu no comando da Bahia.
Nesta eleição de 2026, Wagner foi reeleito senador a seu lado, mas teve menos votos do que Rui Costa, demonstrando a força do político.
Economista, dirigente sindical e político baiano, Rui Costa nasceu em Salvador em 1963. Ligado à fundação do PT na Bahia, ele iniciou a carreira eletiva como vereador de Salvador e, posteriormente, ocupou secretarias no governo estadual. Em 2010, foi eleito deputado federal e, em 2012, licenciou-se do mandato para assumir a Casa Civil da Bahia.
Camilo Santana
Por sua vez, Camilo Santana já é senador pelo Ceará, tendo sido eleito em 2022 com 3. 389. 513 votos, equivalente a 68,68% do total — com mandato até 2030. Por isso, não disputou nenhum cargo em 2026. Apesar disso, conseguiu eleger todos os nomes ligados a ele para vagas majoritárias (reeleição do governador Elmano de Freitas em primeiro turno, reeleição do senador Cid Gomes e eleição para o Senado de Luizianne Lins, da Rede).
Apesar de sua eleição ao Senado, Camilo se licenciou do cargo para comandar o Ministério da Educação no terceiro governo de Lula. Deixou o MEC em abril de 2026 e retornou ao Senado, onde, em julho, foi eleito presidente da Comissão de Educação e Cultura.
Diferente de Rui Costa na Bahia, Camilo é o principal líder do PT de seu estado, já tendo sido governador por dois mandatos, além de fazer seu sucessor. Foi eleito governador do Ceará em 2014 e, em 2018, foi reeleito em primeiro turno. Seus dois mandatos tiveram a educação pública como uma das principais áreas de atuação do governo, com políticas de ampliação do ensino em tempo integral.
Camilo Santana é engenheiro agrônomo, professor e político cearense, nascido no Crato. Iniciou a trajetória no movimento estudantil e, depois de atuar no Ibama, entrou na administração estadual como secretário do Desenvolvimento Agrário. Em 2010, foi eleito deputado estadual pelo Ceará e, posteriormente, comandou a Secretaria das Cidades no governo de Cid Gomes (PSB).
Rafael Fonteles
Reeleito governador do Piauí com 1. 436. 697 votos, 70,90% do total, em primeiro turno, Rafael Fonteles, 41 anos, desponta em 2026 como grande nome no PT. Mais jovem que Camilo Santana (58 anos) e Rui Costa (63 anos), ele tem criado e fortalecido seu espaço dentro do partido.
Em 2025, Fonteles foi presidente do Consórcio Nordeste, entidade que reúne os governos dos nove estados da região.
Conquistou seu primeiro mandato no comando do estado em 2022, após deixar o comando da Secretaria da Fazenda do estado. Teve como padrinho político o governador antecessor, Wellington Dias (PT), e conseguiu se eleger também em primeiro turno, com 57,17% dos votos.
Fonteles é matemático, economista e empresário piauiense, nascido em Teresina. Formado em Matemática pela Universidade Federal do Piauí e mestre em Economia Matemática pelo IMPA, ganhou projeção política ao assumir a Secretaria da Fazenda do Piauí, em 2015. Permaneceu no cargo até 2022 e, entre 2019 e 2022, presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).
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Fonte: veja.abril.com.br