Antes do segundo turno da eleição presidencial, oposicionistas achavam que conquistariam as presidências da Câmara e do Senado
O PL de Jair Bolsonaro foi o grande vencedor na eleição para o Legislativo. Avançando sobre o terreno do Centrão, que diminuiu nas urnas, o partido elegeu as maiores bancadas na Câmara e no Senado, ficando bem à frente das demais legendas.
A partir do próximo ano, o PL terá 121 deputados e 29 senadores, enquanto o PT de Lula, com as segundas maiores bancadas, contará com, respectivamente, 70 e 9 parlamentares. Diante desses números, obtidos após o primeiro turno da votação, a maior sigla da oposição passou a sonhar com a possibilidade de comandar as duas Casas do Congresso.
Os deputados Sóstenes Cavalcante e Altineu Côrtes, ambos do PL do Rio de Janeiro, manifestaram a intenção de disputar a presidência da Câmara contra Hugo Motta (Republicanos-PB), atual ocupante do cargo. Já o senador Rogério Marinho (PL-RN) se apresentou para concorrer à sucessão de Davi Alcolumbre (União Brasil -AP), que tentará a reeleição. Ministra da Agricultura na gestão de Jair Bolsonaro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também passou a ser cotada para participar do páreo.
Eufórica com o tamanho conquistado, a oposição se sentia em condições favoráveis para comandar a cúpula do Congresso. A conquista desse poderoso espaço era considerada ainda mais provável diante da vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da corrida presidencial e do alegado favoritismo do Zero Um para ganhar também o segundo turno e conquistar a Presidência. Faltou combinar com o adversário.
Reorganizando o jogo
A histórica virada de Lula rearranjou as peças no tabuleiro. O presidente trabalhará pela reeleição de Hugo Motta e de Davi Alcolumbre, com os quais formou uma parceria nem sempre harmoniosa nos últimos anos. Os dois parlamentares não entregaram tudo o que Lula queria, mas asseguraram a votação do fim da escala 6×1 e do pacote destinado aos microempreendedores, bandeiras da campanha petista.
No esforço para impedir que o PL chefie a Câmara ou o Senado, o presidente, Motta e Alcolumbre tentarão fechar uma aliança com os partidos de centro, justamente aqueles que mais perderam vagas no Congresso para a legenda de Bolsonaro. Já há conversas nesse sentido.
Os aliados do ex-presidente ainda têm chance na disputa, especialmente no Senado, onde tramitam os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, mas a reeleição de Lula baixou a bola e a euforia deles.
Fonte: veja.abril.com.br