Diagnóstico pode evoluir para quadros mais graves e levar ao óbito; por não possuir um tratamento específico, a imunização é uma das principais ações para conter o aumento do vírus
O sarampo é uma das doenças que mais se espalha com facilidade e a vacinação continua sendo a principal barreira de proteção contra o vírus. O alerta foi feito neste sábado (17), considerado o Dia Nacional de Vacinação, pelo presidente da Câmara Técnica de Eliminação do Sarampo, Renato Kfouri, em entrevista ao CNN Agora, jornal da CNN Brasil.
Durante a conversa, o especialista explicou que há dois motivos principais para essa alta capacidade de transmissão. O primeiro é que a pessoa infectada começa a transmitir o vírus antes mesmo de apresentar sintomas, dificultando o isolamento e o reconhecimento dos casos. Já o segundo fator tem haver com a capacidade de o vírus permanecer por muito tempo no ar, mesmo que o infectado já não esteja mais presente.
“Aquele que está doente ao falar, ao espirrar, ele elimina o vírus, esse vírus fica em suspensão em partículas muito pequenas, que a gente chama de aerossóis, por horas, às vezes, no ambiente. Ou seja, você nem precisa de um contato próximo, entra alguém no seu estúdio, com sarampo, espirra, e vai embora. Mesmo que você entre depois de uma ou duas horas, o vírus está por ali, então é possível essa transmissão sem um contato muito próximo.”
Renato Kfouri, presidente da Câmara técnica de eliminação do sarampo
Até o momento, 61 casos de sarampo foram registrados no Brasil, segundo o último informe emitido pelo Ministério da Saúde. Todos os casos registrados são importados, ou seja, foram adquiridos fora do país e a maioria das pessoas não estavam imunizadas.
“O nosso desafio, a nossa missão é manter a população vacinada. Os vacinados funcionando como barreira impeçam que esses casos importados se traduzam numa transmissão novamente sustentada da doença aqui entre nós”, ressalta o especialista.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), neste ano, a transmissão da doença em países das américas contabilizou o maior número de casos já registrados em mais de duas décadas.
Vacina é a principal forma de combate ao vírus
O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas do mundo, o diagnóstico pode evoluir para quadros mais graves e levar ao óbito. Por não possuir um tratamento específico, a imunização é uma das principais ações para conter o aumento do vírus.
Segundo o especialista, dos casos registrados no Brasil e no mundo, aproximadamente 90% são de pessoas que não tomaram a vacina e isso reforça a necessidade de manter o calendário vacinal atualizado.
“Casos de falha vacinal, em que a pessoa com duas doses ainda assim adquire a doença, são raríssimos. Quando isso ocorre, o quadro costuma ser mais leve e raramente evolui para complicações. quem pega a doença com o esquema vacinal completo raramente desenvolve complicações, é uma doença muito mais leve”, disse.
Associado a uma evolução simples, o sarampo é, na verdade, uma enfermidade grave. Os primeiros sintomas incluem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguidos pelo surgimento de manchas avermelhadas que começam no rosto e se espalham pelo corpo.
Em muitos casos, porém, a doença evolui para complicações sérias. Entre as mais frequentes estão a pneumonia, principal causa de morte por sarampo em crianças pequenas, otites, diarreia intensa e desidratação. Em casos mais raros, o vírus pode atingir o cérebro e provocar encefalite.
Crianças estão mais vulneráveis
De acordo com Renato Kfouri, cerca de 60% dos casos são em crianças menores de 2 anos, que ainda não tiveram a chance de ser vacinadas. No entanto, isso não significa que o adulto não precise se vacinar, pois geralmente os bebês são contaminadas por pessoas mais velhas que não estão imunizadas.
“Aqui fica um recado que os números já mostram por si só. A vacinação começa na criança a partir de 1 ano, metade praticamente em menores de 1 ano de idade. Ou seja, crianças que não tiveram nem sequer ainda oportunidade de ser vacinadas adquiriram o sarampo de alguém adulto, maior, não vacinado. Então esse é o recado que fica. A gente precisa uma cobertura vacinal alta, porque é o que nós chamamos de imunidade coletiva, proteção de rebanho”, conclui Kfouri.
Orientações para vacinação
As campanhas intensas realizadas em São Paulo, onde abrange a maioria dos casos, foram finalizadas em agosto. No entanto, quem continua com doses em atraso deve procurar uma unidade de saúde para atualizar a caderneta, conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações. O principal público-alvo são crianças e pessoas com o sistema imunológico frágil.
Adultos que não têm certeza de ter sido vacinados também devem buscar orientação. Diante de febre acompanhada de manchas vermelhas, a orientação é procurar atendimento médico e evitar o contato com outras pessoas, especialmente bebês e gestantes, para não ampliar a cadeia de transmissão.
OMS: 5 vidas são salvas por vacinas contra o sarampo a cada segundo
Fonte: www.cnnbrasil.com.br