Manifestações estão previstas para os dias 20, 21 e 22 de novembro, em meio à pressão por moradia acessível, melhores salários e serviços públicos
Sindicatos e organizações de defesa do direito à moradia de sete países europeus convocaram nesta terça-feira, 3, três dias de manifestações coordenadas contra o aumento do custo de vida no continente. Os atos estão previstos para 20, 21 e 22 de novembro e devem reunir movimentos da França, Espanha, Reino Unido, Bélgica, Itália, Portugal e Grécia.
A mobilização ocorre em meio a uma sequência de protestos que, nas últimas semanas, levaram estudantes, trabalhadores e organizações sociais às ruas de diferentes cidades europeias. A alta dos aluguéis, o encarecimento de alimentos e da energia, a perda de poder de compra e a insatisfação com os serviços públicos estão entre os principais motivos das manifestações.
Os representantes dos sete países se reuniram em Paris, em um encontro organizado pela Confederação de Sindicatos de Inquilinos do Estado espanhol. Em comunicado conjunto, as entidades denunciaram o aumento do custo de vida e alertaram para o retorno de políticas de austeridade, associado às exigências dos credores da dívida pública e ao aumento dos gastos militares.
Entre as reivindicações estão medidas para conter os preços da moradia, dos alimentos e da energia, aumentos salariais e das aposentadorias e a garantia de serviços públicos universais e de qualidade, incluindo saúde e educação.
Crise habitacional
Um dos principais focos de insatisfação é a crise habitacional. Na Espanha, o tema ganhou força após o despejo de Maricarmen Abascal, aposentada de 87 anos que morreu poucos dias depois de ser retirada do apartamento onde morava em Madri. O episódio desencadeou manifestações e acampamentos pelo direito à moradia em diferentes cidades.
Nesta terça-feira, a polícia espanhola desmontou o acampamento instalado havia cinco semanas na Puerta del Sol, uma das principais praças da capital. A operação mobilizou cerca de 400 policiais, bombeiros e equipes de assistência social. Segundo o governo de Madri, 334 pessoas foram retiradas do local, e duas foram detidas. Os manifestantes denunciaram violência durante a ação, enquanto as autoridades negaram a ocorrência de confrontos.
A crise levou as duas maiores centrais sindicais da Espanha a convocar conjuntamente uma greve geral para 11 de novembro, a primeira mobilização desse tipo organizada pelas entidades em 14 anos. A paralisação ocorrerá poucas semanas antes das eleições gerais antecipadas pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, marcadas para 29 de novembro.
França e Itália também registram protestos
Na França, estudantes do ensino médio, sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos realizaram manifestações durante três fins de semana consecutivos. Uma nova mobilização nacional está prevista para 5 de novembro, em meio à pressão sobre o governo por respostas à perda de poder aquisitivo e ao encarecimento das despesas cotidianas.
“Milhões de pessoas sairão às ruas e demonstraremos que são os povos que devem governar, e não os bilionários”, afirmou Benjamin Ball, integrante da coordenação dos Coletes Amarelos que participou da reunião em Paris.
Na Itália, a mobilização ganhou força a partir de protestos de trabalhadores portuários e se estendeu a outros setores. Segundo Chiara Capretti, representante do sindicato USB, o movimento culminou em uma greve geral em 30 de outubro, que levou centenas de milhares de estudantes e trabalhadores às ruas. “O governo não dá resposta a ninguém”, afirmou.
Em Portugal, organizações estudantis e movimentos contrários aos combustíveis fósseis também articulam mobilizações, enquanto grupos de defesa dos inquilinos reivindicam medidas para enfrentar o aumento dos aluguéis e ampliar o acesso à moradia.
Fonte: veja.abril.com.br