Camila Batich vê maior presença de instituições financeiras, grandes geradores e consumidores; empresas reforçam equipes e trazem experiência internacional ao mercado brasileiro
Instituições financeiras, grupos internacionais e grandes geradores estão ganhando espaço nas negociações de energia na BBCE, em uma mudança de perfil em relação às transações antes mais marcadas pela presença de empresas menores. Segundo a diretora-presidente da plataforma, Camila Batich, o movimento reúne participantes de maior porte, que estruturam mesas de negociação para atuar em um mercado de elevados volumes, crescente volatilidade de preços, mas que passa por uma crise de confiança
Em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN, a executiva afirmou que a transformação também aparece do lado dos consumidores e no tamanho das operações. A gente vê maiores consumidores, maiores empresas e maiores volumes. Ou seja, uma mudança de perfil do que a gente encontrava na BBCE, disse.
A BBCE oferece infraestrutura para negociação e formalização de contratos de energia no mercado livre, além de atuar no registro de derivativos do setor. É nesse ambiente que Batich observa a presença mais expressiva desses participantes.
Presença discreta, mas já com negócios
Entre os principais nomes estão Trafigura, StoneX e Macquarie. Segundo a Reuters, a aproximação desses grupos ocorre de maneira discreta, com observação da dinâmica local e estruturação das equipes, mas já se traduz em negócios na plataforma. Eles estão observando o mercado e transacionando na BBCE, afirmou Batich.
O comportamento contrasta com o perfil que a executiva identificava anteriormente, quando empresas de menor porte negociavam mais entre si. Agora, segundo ela, instituições financeiras e grupos com atuação internacional passam a dividir mais espaço com grandes geradores e consumidores.
Um movimento já anunciado publicamente é o da Trafigura. Em junho, a companhia informou ter recebido autorização para comercializar energia elétrica no Brasil e montado uma equipe local, baseada no Rio de Janeiro. No comunicado, apontou o tamanho do mercado, suas características regulatórias e a base de contrapartes entre os motivos para a entrada.
Em julho, a empresa anunciou sua primeira operação no mercado brasileiro de eletricidade: um contrato de longo prazo para compra de energia da chinesa CGN, anteriormente detido pelo Grupo Bolt. A energia seria comercializada com clientes do mercado livre.
Experiência de outros mercados
Na avaliação de Batich, a mudança não se resume ao tamanho das empresas ou das transações. A presença de participantes com experiência internacional também tende a ampliar a sofisticação das negociações, ao trazer conhecimentos desenvolvidos em outros mercados.
Esse movimento ocorre em um ambiente no qual as oscilações de preços aumentam a importância da gestão de risco. Na mesma entrevista, a executiva apontou incertezas climáticas, modelos de formação de preços e a crise de confiança entre empresas como fatores que influenciam as negociações de energia.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br