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TSE tem maioria para anular votos de Garotinho e dar vitória a Douglas Ruas no Rio

Quatro ministros já votaram a favor da retotalização do primeiro turno no estado, o que consagra candidato bolsonarista, que superou favoritismo de Eduardo Paes

O Rio de Janeiro tem um novo governador. A constatação parece óbvia diante do fato de o eleitorado ter se mobilizado, no último domingo, 4, para escolher quem irá comandar o estado nos próximos quatro anos. Nesse caso, porém, a passagem de bastão vem acompanhada de uma necessária ressalva: finalmente. Presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL) irá assumir o leme no Palácio Guanabara depois de mais de sete meses de batalhas jurídicas que se esticaram até mesmo depois da votação.

Nesta quinta-feira, 8, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) escreve o último capítulo de uma novela que se desenrolava desde a saída do cargo do ex-governador Cláudio Castro (PL), no fim de março. Os ministros formaram maioria para declarar a vitória de Ruas em primeiro turno, após recalcularem o resultado descartando os votos de Anthony Garotinho (Republicanos), o terceiro colocado, que concorreu com um recurso ainda pendente na Justiça Eleitoral. “Não há hipótese para a Justiça Eleitoral que não seja interferir no jogo político, porque ela arbitra conflitos políticos”, defendeu o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do caso. Na mesma linha, o ministro André Mendonça chamou atenção para a fragilidade da candidatura do ex-governador: “A consideração dos votos anulados sub judice no cálculo dos percentuais inicialmente divulgados não lhes confere validade definitiva, mas preserva a possibilidade de adequação do resultado ao pronunciamento posterior da Justiça Eleitoral”.

A decisão se deu após uma surpreendente arrancada do deputado estadual em uma disputa que chegou a ganhar ares de barbada para o ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD). Ao fim do duelo, no entanto, Ruas, até pouco tempo um ilustre desconhecido, virou o jogo, conquistando 49,27% dos votos ante os 42,76% de Paes, condição que deixou o azarão muito próximo da vitória no primeiro round. Ela só veio porque Garotinho recebeu 274 411 votos, 3,17% do bolo, que passaram a ser considerados nulos. Com isso, o total de votos válidos diminuiu, e Ruas ficou com 50,88% do total. O ex-governador foi condenado por improbidade administrativa, em um caso de desvio de recursos da saúde ocorrido lá atrás, em 2005, e que apenas agora chegou a um desfecho. Com base na Lei da Ficha Limpa, o TSE concluiu que Garotinho, ao contrário do que alegava, só estará apto a voltar à cédula em 2033.

Não houve quem não se surpreendesse com o desempenho de Ruas. Além da discrepância com as pesquisas, a maior entre todas as sondagens realizadas no país, o resultado ilustra a força da onda conservadora que varreu o Brasil, tendo o berço do bolsonarismo como epicentro. Ruas, desde o primeiro momento, apostou na estratégia de colar sua imagem à de Flávio Bolsonaro (PL) e a de se apresentar como jovem da periferia, de onde é egresso. Do outro lado do ringue, Paes tentou associar o candidato do PL à desastrosa gestão Castro, da qual ele foi secretário das Cidades. Valendo-se de um amplo e pragmático arco de alianças composto de nove partidos, o ex -alcaide escalou a petista Benedita da Silva para concorrer ao Senado, ao mesmo tempo em que nomeou Jane Reis, irmã do bolsonarista Washington Reis, como vice.

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Os esforços de articulação se revelaram infrutíferos diante de um pleito que tomou fortes contornos nacionais. Paes perdeu no interior e na populosa Baixada Fluminense, tradicionais redutos bolsonaristas, e os votos da capital, que comandou por quatro ocasiões, não foram suficientes para neutralizar a desvantagem. É a terceira e talvez mais amarga derrota ao governo do estado do político que nutria a pretensão de chegar ao Palácio do Planalto usando como catapulta a cadeira mais poderosa do terceiro colégio eleitoral do país. A questão no Rio é que o eleitor acabou votando sem colocar na frente os problemas do estado, avalia o deputado estadual reeleito Luiz Paulo (PSD), correligionário do ex-prefeito. Nesse cenário, enquanto Ruas se cacifou ao explorar ao máximo a polarização e o antipetismo, Paes fez o que pode para não ser lembrado como o candidato do presidente Lula, sem sucesso. Sinal inequívoco da associação de seu nome ao do presidente é o fato de mais de 200 000 pessoas terem apertado 13, o número do PT, e não 55, ao votarem para governador.

A chapa puro sangue de Ruas revela-se vantajosa também na hora de compor o governo. Entendemos que não precisamos recompensar o Centrão, diz um aliado. Ele já começa a ser procurado por antigos parceiros do PP e do União que haviam se mantido neutros no processo, ávidos por cargos em troca de apoio. Reeleito deputado federal com a maior votação do estado, Dr Luizinho, presidente do diretório estadual do PP, acena a Ruas. Aconteceu uma nova onda bolsonarista, que para quem estava na rua não foi surpresa, reflete sobre o resultado no Rio. 

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Recém lançado à vida pública, o novo governador recebe o Rio das mãos do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça fluminense, alçado ao posto em função de uma dupla vacância o vice de Castro, Thiago Pampolha, foi para o Tribunal de Contas do Estado e o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, afastado do cargo por suspeitas de envolvimento com o crime organizado. Ruas irá herdar uma máquina administrativa sem 6 700 servidores fantasmas, com dívida federal reduzida de 210 para 168 bilhões de reais. Eu o aconselhei a fazer um governo com cara de futuro. Disse a ele: se não for assim, a política vai te tragar, revela a VEJA Paulo Vasconcelos, marqueteiro da campanha. Com a caneta na mão, terá como primeira missão escolher entre a boa administração e as velhas práticas do conchavo político.

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Fonte: veja.abril.com.br

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