Pleito testa força política de Trump, com republicanos lutando para manter controle do Congresso e possível 'onda azul'
As primeiras urnas começaram a fechar nos Estados Unidos às 20h de Brasília desta terça-feira, 3, dando o pontapé inicial ao que promete ser uma longa jornada de apuração que pode redefinir quem controla o Congresso.
O pleito é lido como um teste para a força política de Donald Trump, que viveu os dois primeiros anos de seu segundo mandato com maioria republicana na Câmara dos Deputados e no Senado. Os democratas buscam recuperar o controle do legislativo para impor freios à agenda do presidente americano. Estão em disputa todas as 435 cadeiras para deputados e 35 das 100 vagas para senadores, e as últimas pesquisas apontam que pode haver uma “onda azul” nas chamadas midterms.
Parte das urnas em Indiana e no Kentucky começou a fechar às 20h de Brasília, mas a totalidade das zonas eleitorais nessas localidades fecha oficialmente às 21h, bem como em seis outros estados: Flórida, Geórgia, New Hampshire, Carolina do Sul, Vermont e Virgínia.
Alguns desses locais são decisivos para a disputa pelo Senado. Na Flórida, a democrata progressista Angie Nixon espera surpreender e derrotar a atual ocupante do cargo, a republicana Ashley Moody, em uma das duas eleições especiais deste ciclo.
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Enquanto isso, na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff, em seu primeiro mandato, enfrenta o desafio do congressista Mike Collins, apoiado por Trump.
Na Carolina do Sul, Darline Graham busca um mandato completo após ter sido nomeada pelo governador do estado para assumir de forma interina o posto do irmão, o popular senador Lindsey Graham, que faleceu em julho. Ela enfrenta a democrata Annie Andrews, uma pediatra.
Em New Hampshire, os republicanos veem uma oportunidade de conquistar uma vaga aberta no Senado; o ex-senador republicano John Sununu desafia o congressista Chris Pappas, em uma disputa que tem se tornado cada vez mais preocupante para os democratas na reta final da campanha.
Pouco depois, às 21h30, outros três estados encerram a votação: Virgínia Ocidental, Carolina do Norte e Ohio, esses dois últimos também cruciais para definir o controle do Senado.
A vaga aberta pela Carolina do Norte representa uma oportunidade fundamental para os democratas, representados pelo ex-governador do estado, Roy Cooper. Ele enfrenta Michael Whatley, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano.
Em Ohio, onde ocorre a segunda eleição especial para o Senado nessas midterms, o ex-senador Sherrod Brown busca retornar ao legislativo após ter perdido a disputa em 2024. Seu rival republicano é Jon Husted, em uma disputa que gira, em parte, em torno do debate sobre a instalação de data centers de inteligência artificial (IA) no estado.
Os últimos locais a encerrar a votação serão o Alasca e o Havaí, no máximo às 23h de Brasília.
Quando saem os resultados?
Não existe uma resposta simples para essa pergunta. Nos Estados Unidos, não há uma autoridade eleitoral unificada como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) brasileiro: cada estado é responsável pelo seu sistema de votação e pela contagem das cédulas. Os eleitores americanos podem votar presencialmente (seja durante o período de votação antecipada ou no dia da eleição); outros milhões votam por correio. As cédulas são físicas, em papel.
Às vezes, quando a disputa não é acirrada, é possível saber quase instantaneamente quem venceu. Veículos de imprensa, com destaque para a agência Associated Press (AP), projetam o vencedor com base em resultados preliminares e não oficiais. Em disputas mais acirradas, pode levar muitas horas, dias ou até semanas. Em 2024, segundo o Laboratório de Ciência e Dados Eleitorais do MIT, a maior parte dos votos foi contabilizada em cerca de oito horas. Após dois dias, todos os estados com exceção da Califórnia já haviam apurado mais de 75% dos votos.
As cédulas em papel são, em geral, escaneadas por máquinas e seus dados são processados digitalmente. No entanto, essa etapa é acompanhada de contagens manuais parciais e auditorias com o intuito de verificar a precisão dos resultados.
Alguns estados contabilizam as cédulas enviadas por correio dias após a data da eleição, desde que elas tenham sido postadas até o dia do pleito uma prática recentemente validada pela Suprema Corte americana. Em outros, as cédulas enviadas por correio que chegam no dia da eleição são processadas antecipadamente e os resultados são liberados logo após o encerramento da votação geralmente, cerca de uma hora depois.
Existem também períodos de regularização (“curing periods“, em inglês), que permitem aos eleitores garantir que seus votos sejam contabilizados, caso precisem fornecer informações adicionais ou confirmar a autenticidade de sua assinatura em uma cédula enviada por correio. Essas cédulas costumam ser as últimas a serem processadas.
Caso a diferença entre os candidatos seja muito pequena geralmente menos de um ponto percentual , o estado ou município pode acionar uma recontagem automática. Esse processo pode atrasar consideravelmente a divulgação dos resultados. Por isso, veículos de imprensa costumam evitar declarar um vencedor quando a margem está dentro do limite que prevê a recontagem.
Fonte: veja.abril.com.br