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Uso de IA a nível empresarial ainda está caminhando, diz Abemi

Associação Brasileira de Engenharia Industrial avalia que utilização da tecnologia no setor impulsiona rapidez e precisão em processos, mas palavra final será sempre do profissional

O presidente da Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial), Nelson Romano, avalia que a inteligência artificial, apesar do uso pessoal generalizado pelo profissional, a nível empresarial ainda está caminhando no Braisil

Para o engenheiro químico, o usa da IA proporciona maior rapidez na obtenção e precisão de informações, atuando como um acelerador na tomada de decisões, mas ressalta que a palavra final sobre qualquer projeto industrial continuará a ser do profissional humano.

As falas foram dadas à CNN durante a segunda Jornada da Engenharia, evento realizado em São Paulo com nomes do setor de engenharia discutindo o tema central: engenharia híbrida: Humanos e IA.

O encontro reuniu executivos e especialistas de grandes companhias como Petrobras, Vale, Siemens, Acelen Renováveis, Braskem, Deloitte e Promon Engenharia para debater o novo ciclo de investimentos em óleo e gás, mineração e combustíveis renováveis, além do impacto da digitalização nos canteiros de obras.

Maturidade tecnológica e validação humana

Para o setor de fornecimento de tecnologias e engenharia, as ferramentas digitais e os modelos de inteligência artificial já alcançaram a robustez necessária para atuar na infraestrutura pesada.
Guilherme Klein, Delivery Services Manager na Siemens, destaca que não há dúvidas de que a tecnologia já atingiu um nível de maturidade suficiente para poder trabalhar para este nível de responsabilidade, que é a responsabilidade de fazer respostas de questões industriais.

Apesar da evolução técnica e do avanço de ecossistemas digitais e gêmeos digitais, a presença do engenheiro no processo de checagem é tida como indispensável para garantir a segurança operacional e evitar erros em plantas complexas.

A segurança é o ser humano. A gente não pode confiar 100% cegamente numa saída gerada simplesmente por uma máquina, afirmou Klein.
O executivo explica que os sistemas estão a ser desenvolvidos para limitar idealizações incorretas das IAs, ancorando as respostas em fontes confiáveis de dados, cabendo ao profissional a validação técnica final: Não vejo no futuro próximo a retirada da validação do ser humano deste ciclo todo.

Com a automação de tarefas manuais e repetitivas de cálculo e formatação, o perfil exigido dos profissionais passa por uma reconfiguração.

Klein aponta que a qualificação do engenheiro se desloca para a capacidade crítica de avaliação: As atividades automatizáveis, manuais, elas vão ser inevitavelmente feitas por uma inteligência artificial, por um robô, por alguma outra fonte que é, inclusive, mais barata, mais rápida do que o ser humano para fazer essas atividades. Só que as atividades racionais, elas não serão substituídas. E é aí que o engenheiro precisa estar qualificado.

Governança, canteiros digitais e as habilidades do futuro

A integração de sistemas digitais na execução de projetos industriais e na fabricação distribuída também exige uma estrutura clara de governança e ética.

Para André Fregolente, consultor executivo da Indústria da Octave, o avanço tecnológico na engenharia exige acompanhamento cuidadoso para evitar a dependência excessiva dos profissionais em relação aos algoritmos.

Fregolente ressalta que o profissional precisará de se adaptar continuamente ao novo ecossistema de trabalho: O engenheiro do futuro passa pelo cognitivo, ele tem que aprender, não vai ter jeito, é irreversível esse processo, mas ele tem que saber utilizar a IA nos seus processos de trabalho atual, senão não tem eficiência dentro da sua empresa.

Para o engenheiro, o profissional que vive um mundo inundado pela IA tem que ter aquele grau de responsabilização, ele não pode ficar dependendo e ter cuidado com os viés que estão por detrás das inteligências artificiais, e ser um validador do output dessa inteligência.

O especialista aponta ainda que, no caso dos canteiros digitais de obras, a implementação da IA deve ocorrer com foco prioritário no fator humano, dado que o ambiente de construção ainda preserva muitos processos manuais.

O uso de inteligência artificial em canteiros digitais tem que estar muito centrado no ser humano. A interação humano e IA, nesse sentido, para canteiros digitais, tem que estar mais centrado no humano, entender os seus processos de trabalho, os seus desafios diários, destacou Fregolente, alertando que qualquer tecnologia introduzida no canteiro não pode pôr em risco a segurança da fábrica nem a saúde dos trabalhadores.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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