Para Marcelo Kayath, que integra a equipe econômica de Flávio Bolsonaro, a solução de longo prazo para as dívidas é fazer o país crescer
A equipe que prepara o programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avalia alternativas para reduzir o grande endividamento das famílias brasileiras, pressionadas pela inflação resiliente e pelos juros altos. O leque de opções incluiria medidas de curto e de longo prazo, segundo Marcelo Kayath, ex-diretor do banco de investimentos Credit Suisse e cotado para chefiar o Ministério da Fazenda, caso o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro vença o pleito em 25 de outubro. Em entrevista à emissora CNN nesta quarta-feira 7, Kayath admitiu a possibilidade de implementar ações emergenciais para aliviar o bolso dos endividados.
“Qualquer governo que venha, de qualquer tipo, vai ter que endereçar algumas medidas de curto prazo para aliviar a situação da população”, afirmou Kayath. “As pessoas não podem ficar nesta situação.” Ele evitou, contudo, detalhar que medidas poderiam ser adotadas. No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), rival de Flávio Bolsonaro na corrida pelo Palácio do Planalto, um recorde de 84 milhões de pessoas – mais da metade da população adulta – estão com dívidas em atraso, totalizando 592,1 bilhões de reais, de acordo com o bureau de análise de crédito Serasa Experian. “Não há dúvidas de que a gente vai ter de fazer algo para aliviar a situação”, frisou Kayath.
Para aumentar as chances de se reeleger, Lula lançou o programa Desenrola de renegociação de dívidas, que já contou com três edições. A última foi lançada em 25 de setembro, às vésperas do primeiro turno da eleição, em conjunto com a proibição total das bets. Desssa vez, o plano do presidente-candidato é compre as dívidas dos inadimplentes com descontos de até 90%. Com isso, o programa abateria 150 bilhões de reais em dívidas ao custo de 15 bilhões de reais.
Segundo Kayath, uma solução de longo prazo para o endividamento das famílias deve se basear na melhoria da economia com geração de emprego, de renda e de mais oportunidades para o desenvolvimento pessoal. “Temos que abrir um caminho de prosperidade”, disse o ministeriável. “O problema do Brasil só será resolvido com crescimento.”
Fonte: veja.abril.com.br