Campanha de Lula de Lula orienta aliados a caracterizar o voto como uma "escolha moral"
A dificuldade de Lula e do PT para se aproximar de eleitores evangélicos é patente nas últimas eleições, e se aprofundou ainda mais com o esforço da família Bolsonaro para imprimir a narrativa de que seus valores morais são os mesmos pregados por alguns bispos e pastores, como Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira, 14, deu mais uma prova disso: na intenção de voto estimulada entre católicos, Lula supera Flávio Bolsonaro por 49% a 43%, mas, entre evangélicos, o senador do PL leva vantagem muito maior, de 60% a 28%.
No mesmo dia, o presidente e candidato à reeleição divulgou uma carta aos evangélicos, na qual destaca, como ações do seu governo que abençoam suas famílias, a medida provisória que proibiu as bets e o fim da escala 6×1. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração, diz Lula na missiva. Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição.
A escolha de palavras vai exatamente na linha das orientações contidas em um documento interno da campanha de Lula a que VEJA teve acesso, produzido depois do primeiro turno. Ao abordar um projeto de escuta e diálogo com comunidades evangélicas, a cartilha dirige aliados que mantêm interlocução com fiéis e lideranças desse segmento religioso, a exemplo do advogado-geral da União, Jorge Messias, da senadora Eliziane Gama (PT-MA) e do deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), todos evangélicos, a caracterizar o voto na eleição como uma escolha moral. A narrativa que o QG petista recomenda é repetir que votar em Flávio pode ser pecado.
O material de campanha explica que a abordagem a eleitores evangélicos com essa mensagem deve ser na forma de argumento e convite à reflexão, não como ordem, e que os fatos para embasar essa narrativa vêm das falas do próprio candidato do PL. Ao mesmo tempo, alerta que não pode haver ameaça nem promessa de castigo ou recompensa espiritual condicionada ao voto, já que coagir eleitores é crime. Fazer propaganda política dentro de templos também e atribuir ao rival de Lula um fato não verificável também é vetado.
Fonte: veja.abril.com.br