Nova pesquisa sugere que esses padrões alimentares impactam o DNA e podem diminuir os efeitos e sinais da idade
Um estudo alemão recém-publicado na revista científica Nature Communications indica uma associação entre dez tipos de dieta com um envelhecimento biológico mais lento. Os autores descortinaram essa relação ao investigar exames de sangue de mais de 7 000 pessoas e cruzar os dados obtidos com o padrão alimentar adotado por esse público.
A pesquisa se baseou inicialmente em informações de dieta e amostras de sangue de 6 470 alemães acompanhados durante anos na região de Bonn, e depois testou as hipóteses levantadas em mais de 1 000 outros indivíduos inscritos em um programa acadêmico mantido na área de Postdam.
Os exames colhidos permitiram aos cientistas apurar sinais moleculares do envelhecimento por meio de alterações epigenéticas no DNA – em outras palavras, isso traduz como os genes reagem a comportamentos e a exposição ao ambiente, entre eles a dieta.
Essas mudanças no nível mais profundo das células ajudam a calcular a idade biológica – em contraposição à cronológica – e também são associadas a doenças crônicas que podem encurtar a expectativa de vida.
Em paralelo, os pesquisadores esmiuçaram como foi a adesão dos participantes a dez padrões de alimentação considerados saudáveis, entre eles a dieta mediterrânea, a DASH (dieta para hipertensão) e a MIND (dieta para a saúde cerebral). Por meio de modelos estatísticos avançados eles cruzaram essas informações com os “relógios genéticos” apontados pelos exames.
Desse modo concluíram que os dez cardápios foram associados a uma lentificação no envelhecimento biológico, indício de que a alimentação equilibrada pode contribuir realmente para a longevidade.
As dez dietas
O estudo coordenado pelo Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas se debruçou sobre dez planos alimentares considerados saudáveis pela literatura científica. Foram eles:
Dieta mediterrânea: que privilegia pescados, grãos integrais, hortaliças, azeite de oliva e castanhas
DASH: sigla para “dieta para parar a hipertensão”, que aposta em frutas, hortaliças e lácteos magros
MIND: dieta testada para resguardar a mente e a cognição, une a DASH à mediterrânea
Alternative Healthy Eating Index (AHEI): sistema de pontuação desenvolvido por Harvard para refletir uma dieta adequada
Dieta nórdica: típica dos países escandinavos, prioriza peixes gordos e vegetais, inclusive em sua versão fermentada
PDI (Plant-Based Diet Index): índice criado por pesquisadores americanos para apontar a presença de vegetais no cardápio
hPDI (Healthful Plant-Based Diet Index): variação do modelo anterior, com maior enfoque no impacto na saúde
uPDI (Unhealthful Plant-Based Diet Index): índice que se refere a alimentos vegetais de baixa qualidade nutricional, como batata frita e hambúrguer plant-based industrializado
DII: sigla para índice de inflamação da dieta, busca apontar se o menu tem um padrão pró ou anti-inflamatório
EAT-Lancet: dieta preconizada por uma comissão da respeitada revista científica com foco na saudabilidade e na sustentabilidade
Devido às pontuações positivas atreladas a esses modelos, os autores do estudo ressaltam que não há “dieta única” para obter benefícios à saúde e ganhos em termos de longevidade.
De modo geral, no entanto, todos esses programas ou recomendações alimentares se baseiam no privilégio de vegetais, redução no consumo de carne vermelha e industrializados e maior aporte de ingredientes naturais e integrais.
Fonte: veja.abril.com.br