Marcela Pagano, ex-aliada de Javier Milei, pediu investigação sobre a passagem do senador pela fronteira e a viagem em avião particular
A deputada argentina Marcela Pagano apresentou, nesta quarta-feira, 28, uma denúncia à Justiça Federal de Puerto Iguazú para investigar a entrada de Flávio Bolsonaro (PL) na Argentina e sua viagem em um avião particular. A iniciativa foi anunciada no X antes de as autoridades argentinas confirmarem que o senador havia cruzado a fronteira com a mulher e as duas filhas e embarcado em um voo para Guayaquil, no Equador.
Na publicação, Pagano afirmou que Flávio estava proibido de deixar o Brasil por ordem judicial e questionou as circunstâncias da viagem. Se entrou, alguém o deixou entrar. Se tentaram tirá-lo por um aeroporto federal, alguém olhou para o outro lado, escreveu.
Presenté denuncia penal en la Justicia Federal de Puerto Iguazú. Flávio Bolsonaro tiene prohibido salir de Brasil por orden judicial. Los medios ubican su ingreso clandestino por Iguazú, un jet de matrícula argentina esperándolo para volar a EE.UU. y a la ANAC frenando ese despegue. Mientras tanto, el Gobierno dice que “nunca ingresó”. Si entró, alguien lo dejó entrar. Si lo quisieron sacar por un aeropuerto federal, alguien miró para otro lado. Pedí preservar las cámaras del puente y del aeropuerto, los planes de vuelo, la lista de pasajeros y el contrato del chárter, e investigar por tráfico de personas en tránsito e incumplimiento de los deberes de funcionario público. La frontera argentina no es un pasillo VIP de nadie. La soberanía no se negocia ni se presta. Fiel al compromiso de seguir dando testimonio en tiempos difíciles.
Marcela Pagano (@Marcelampagano) October 28, 2026
A deputada pediu a preservação das imagens das câmeras da ponte internacional e do aeroporto, dos planos de voo, da lista de passageiros e do contrato do voo fretado. Também solicitou a investigação de possíveis crimes relacionados ao trânsito de pessoas e ao descumprimento dos deveres de funcionários públicos.
Ao encerrar a publicação, Pagano afirmou que a fronteira argentina não é um corredor VIP de ninguém e que a soberania não se negocia nem se empresta.
Pagano foi eleita deputada em 2023 pela coalizão La Libertad Avanza, liderada pelo presidente argentino Javier Milei. Em agosto de 2025, rompeu com a bancada governista e passou a integrar o bloco Coherencia, após divergências com o oficialismo. Desde então, atua de forma independente no Congresso argentino.
A rota da viagem
A passagem de Flávio pela Argentina ocorreu apesar de uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal e o proibia de deixar o Brasil. Flávio não cumpriu o prazo para entregar os documentos, que acabaram cancelados pelas autoridades brasileiras. A decisão foi tomada no contexto de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo também o advogado Willer Tomaz. Os dois negam irregularidades.
Depois de informações contraditórias sobre seu paradeiro, a Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que Flávio, a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas entraram no país às 22h50 de terça-feira, 27, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú. Segundo o órgão, o grupo apresentou documentos válidos para entrar na Argentina e não tinha impedimentos migratórios.
Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, os quatro embarcaram em um voo particular operado pela empresa Baires Fly, com destino declarado a Guayaquil, no Equador. O destino final da viagem ainda não foi confirmado oficialmente. Na terça-feira, o governo dos Estados Unidos anunciou que Flávio e sua família receberiam vistos para entrar no país.
A viagem ocorreu três dias depois de Flávio perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante a campanha, o senador havia afirmado que permaneceria no Brasil e que lideraria a oposição ao novo governo.
Fonte: veja.abril.com.br