O meio-campista de 32 anos do Atlético-MG ganhou destaque nas redes sociais ao compartilhar resenhas literárias e inspirou a criação de clube de leitura
Como surgiu o interesse pela leitura? Meu pai sempre me incentivou a ler até quando assistíamos à TV, ele colocava legendas, para reforçar o hábito. Mas o gosto mesmo veio lendo a Bíblia, durante a minha conversão ao cristianismo. Quando jogava no Palmeiras, um colega me presenteou com o livro do Robert Louis Stevenson, O Médico e o Monstro, e de repente me vi nesse mundo.
Por que levou esse hábito para as redes sociais? Eu postei O Médico e o Monstro, porque, pra mim, foi uma baita novidade, e aí a galera curtiu. Continuei postando e deslanchou.
Como foi furar a bolha do futebol por meio da literatura? Em 2021, deu uma bombada quando alguém do Twitter se surpreendeu e publicou: Nossa, tem um jogador que posta os livros que ele lê. Na época, eu só tinha lido as pedradas, sabe? Dostoiévski e os clássicos. Mas nada se compara com o que aconteceu agora, depois do vídeo de A Morte de Ivan Ilitch, do Liev Tolstói. Essa repercussão é surreal.
Por que acha isso? Estamos falando de um livro russo de 1800 e alguma coisa que viralizou, o que é muito raro. Sempre soube que, por ser jogador e tal, eu era um cara influente, mas não imaginava que tomaria essa proporção.
Como se sente por ter inspirado o Galeitura clube literário criado por torcedores do Atlético-MG, seu clube atual? O mais legal é que foi orgânico. É diferente de tudo que eu já vivi nesse meio do futebol. Fico feliz demais. Ver outras torcidas também criando clubes do livro está sendo espetacular.
Qual é a importância da leitura para a formação do indivíduo especialmente no universo do futebol? O jogador de futebol tem uma voz que a galera escuta, sabe? Quero usar essa influência de uma forma positiva. A leitura pode ajudar na questão da rivalidade, pois os livros nos tornam mais empáticos. Infelizmente, muita gente ainda morre brigando por time. Saber que, mesmo indiretamente, eu estou ajudando pra que isso acabe é gratificante.
Qual livro recomenda? Eu sempre indico A Revolução dos Bichos, do George Orwell, porque é uma sátira bem legal. Parece bobinha, mas tem uma mensagem absurda de boa. O primeiro que eu li, O Médico e o Monstro, também é bacana. E, para os cristãos, indico um que é muito maneiro, do John Bunyan, O Peregrino.
Publicado em VEJA de 23 de outubro de 2026, edição nº 3018
Fonte: veja.abril.com.br