Cidade foi destruída e soterrada após a erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C.
Um armário de madeira fechado há quase 2 mil anos revelou objetos pessoais de moradores de Pompeia, cidade romana soterrada pela erupção do Vesúvio em 79 d.C. A descoberta ocorreu em uma residência na Via dellAbbondanza, uma das principais ruas do município, e inclui moedas, utensílios de beleza, um frasco de perfume e um colar infantil com mais de 20 pingentes.
Entre os itens recuperados pelos arqueólogos estão pinças, um queimador de incenso, uma lanterna de bronze e 38 moedas. Também foram encontrados panelas e uma caixa de madeira com pesos de chumbo, objetos que podem indicar que um dos moradores trabalhava com comércio. A presença de dinheiro e pertences pessoais abandonados no imóvel sugere que os habitantes tenham deixado a casa às pressas durante a catástrofe.
O objeto que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi um colar conhecido como crepundia, tradicionalmente utilizado por crianças na Roma Antiga. Seus mais de 20 pingentes, feitos de diferentes materiais, representam divindades como Bes e Mercúrio. Além de funcionar como amuleto, o acessório produzia pequenos ruídos que ajudavam os pais a localizar os filhos. Ao Guardian, Gabriel Zuchtriegel, diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, explicou que o colar também poderia representar uma lembrança da família em uma sociedade marcada por deslocamentos frequentes entre diferentes regiões do Mediterrâneo.

A investigação da residência, cuja fachada foi escavada em 1912, faz parte de um projeto de restauração que agora alcança cômodos ainda pouco explorados. Em uma das áreas de armazenamento, os arqueólogos encontraram até mesmo fragmentos dos esqueletos de dois ratos dentro de uma ânfora. Inscrições descobertas anteriormente levaram à associação do imóvel a um homem chamado Cornelius Maximus, embora os registros não estejam mais visíveis.
As escavações também avançam na Villa dos Mistérios, nos arredores de Pompeia, onde os pesquisadores decidiram investigar os alojamentos dos empregados, em vez das áreas dos proprietários, conhecidas por seus afrescos. A intenção é reconstruir aspectos da rotina e das condições de vida dos trabalhadores que permaneceram à margem dos registros históricos. De acordo com Zuchtriegel, a maioria dos habitantes da propriedade era formada por pessoas escravizadas.
Outras descobertas recentes também ajudam a revelar as desigualdades sociais da cidade. Em 2025, uma residência no distrito de Regio IX, uma das áreas mais ricas de Pompeia, revelou um complexo de banhos termais que teria sido usado pelo proprietário para receber convidados abastados. Já em 2023, arqueólogos encontraram no mesmo distrito uma padaria estreita, onde pessoas escravizadas possivelmente eram mantidas em confinamento e obrigadas a produzir pão.
Fonte: veja.abril.com.br